Por BBC

26/08/2019 


Ex-ministro da Agricultura e uma das lideranças do agronegócio no Brasil, Blairo Maggi está receoso com as consequências da repercussão do aumento dos números de incêndios no país. Para ele, a imagem de um Brasil preocupado com a preservação ambiental está desgastada no exterior.

“Nos últimos anos, os setores exportadores do país tiveram grande trabalho de refazer essa imagem do Brasil e mostrar que temos controles de desmatamento e de todas questões ambientais. Tínhamos conseguido superar bem esse assunto. Mas agora teremos que refazer tudo isso”, diz ele à BBC News Brasil.

Na última semana, a destruição da Floresta Amazônica ganhou repercussão internacional, em razão do aumento da onda de queimadas na região.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 78,3 mil focos de incêndio foram registrados apenas neste ano no Brasil – crescimento de 84% em comparação a 2018. Do total de casos deste ano, 52,6% foram registrados na Amazônia.

Os números sobre incêndios no Brasil e o discurso de Bolsonaro pouco combativo ao tema – ao menos até meados da semana -, repercutiram em todo o mundo e causaram reações em lideranças internacionais.

Queimadas no Brasil — Foto: BBC

Queimadas no Brasil — Foto: BBC

Diante da pressão internacional, Bolsonaro mudou o tom de sua reação e autorizou, na tarde de sexta-feira (23), o uso de militares em uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) – quando há situações graves que demandam que o presidente da República convoque forças de segurança – para combater as queimadas na região da Floresta Amazônica.

Na noite de sexta, Bolsonaro afirmou, em pronunciamento, que terá “tolerância zero” com crimes ambientais.

Eleitor de Bolsonaro, Maggi afirma que a conduta do presidente diante do aumento nos números de incêndio deixou a imagem do mercado brasileiro “bastante arranhada” e que “o Governo demorou para entrar no jogo”.

Um dos principais acionistas do grupo Amaggi, gigante do agronegócio brasileiro, o ex-ministro prevê que os produtores rurais brasileiros terão “muito trabalho pela frente” para voltar a ter credibilidade no comércio internacional.

Para tentar reverter a situação, afirma que os produtores precisarão “assumir compromissos [sobre responsabilidade ambiental] e executá-los”.

Entre o ano passado e 2019, o Brasil bateu recordes de exportações como café, milho e carne bovina. O maior temor de produtores rurais que atuam no comércio exterior é que as vendas sejam afetadas.

Número de queimadas — Foto: BBC

Número de queimadas — Foto: BBC

Críticas internacionais

O ex-ministro de Michel Temer pondera ao comentar sobre as críticas feitas ao Governo Federal por parte dos membros da cúpula do G7 – grupo das sete maiores economias do mundo, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. “Acho que eles não têm as informações corretas [sobre a destruição na Amazônia]. Devem estar fazendo juízo de valor com o que as redes sociais têm propalado”, minimiza.

“O Fogo e o desmatamento são ruins. Mas em poucos dias as chuvas voltam à região e o fogo cessará. Já o desmatamento ilegal precisa ser combatido”, declara Maggi.

Para ele, há informações desencontradas sobre a real situação da Floresta Amazônica. “Ainda é preciso fazer levantamentos para saber qual foi a dimensão do estrago, para termos a informação real e avaliarmos a melhor forma de atacar o problema”, diz.

Maggi sai em defesa de produtores rurais que operam de acordo com a lei. “Os grandes responsáveis por essas coisas [queimadas em propriedades rurais] são grileiros de terra, principalmente de terras devolutas. Eles insistem em querer estar fora da regra da legislação. Uma coisa é a produção organizada, com produtores que obedecem a legislação. Outra coisa é a produção de quem não obedece.”

“É preciso separar o joio do trigo. Somos favoráveis às aplicações das leis, queremos competir com o mundo dentro das regras estabelecidas”, afirma.

Segundo o ex-ministro, produtores que exportam mercadorias seguem as normas corretas para que possam comercializar itens sustentáveis.

“O Brasil tem uma legislação muito dura sobre esse assunto, que não foi alterada no atual governo. Logo que começamos a acessar o mercado internacional, começamos a nos cobrar sobre esse compromisso de ter produtos sustentáveis. Todos os setores assumiram compromisso de vender itens que não fossem frutos de áreas de desmatamento”, diz.

Mapa de queimadas — Foto: BBC

Mapa de queimadas — Foto: BBC

‘Motosserra de ouro’

Maggi, assim como Bolsonaro, também já foi considerado inimigo internacional do meio ambiente. Em 2005, o ex-ministro foi premiado com a “Motosserra de Ouro”, da ONG Greenpeace. A premiação, conforme a entidade, foi dada em virtude da contribuição dele, um dos maiores produtores de soja do Brasil, para a destruição da Amazônia. Chegou a ser considerado também, em reportagem da revista britânica Economist, como ameaça à floresta.

Bolsonaro gravando o pronunciamento que foi ao ar na noite desta sexta-feira (23) — Foto: Presidência da República

Bolsonaro gravando o pronunciamento que foi ao ar na noite desta sexta-feira (23) — Foto: Presidência da República

O ex-ministro afirma que aprendeu muito sobre preservação ambiental depois disso.

“Toda crise nos ensina muitas coisas. Na época, me aproximei da ciência, do mercado e dos ambientalistas. Entendi que não somos uma ilha e que precisamos estar permanentemente conversando. Os produtores de Mato Grosso também entenderam isso”, diz.

“Montamos um programa chamado MT legal, com a presença dos órgãos como Ministério Público, Polícia Federal, Secretaria de Meio Ambiente e associações de produtores. Na época, reduzimos o desmatamento e as queimadas em mais de 80 %. Desde então, nunca mais houve fechamento de aeroportos em Mato Grosso por fumaça”, explica.

Ao ser questionado sobre o que Bolsonaro pode aprender com as críticas que vem sofrendo por conta da política ambiental que tem adotado, Maggi se esquiva. “Não sei. Mas ele vai aprender.”

Passando uma temporada em Paris, na França, o ex-ministro continua atento à política, mas afirma que não irá mais se candidatar a nenhum cargo. “Para tudo tem seu tempo, o da política terminou”, diz. Governador de Mato Grosso por dois mandatos e senador pelo Estado por oito anos, ele afirma que vive uma fase de “reintegração à vida de um cidadão normal, com família, amigos e negócios.”

Salles (MMA) criticou a atuação do Ibama várias vezes. Em janeiro, levantou suspeitas sobre um contrato de viaturas da autarquia — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Salles (MMA) criticou a atuação do Ibama várias vezes. Em janeiro, levantou suspeitas sobre um contrato de viaturas da autarquia — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Apesar de afirmar que quer evitar se aproximar da política, Maggi ainda está relacionado ao tema. Isso porque ele responde na Justiça por um crime que teria sido praticado em 2009, enquanto era governador. Ele é acusado de participar de um esquema de compra de vaga no Tribunal de Contas de Mato Grosso.

O ex-ministro nega participação em qualquer esquema ilegal. “Infelizmente a política tem dessas coisas. Mas isso é jurídico, responderei com cabeça erguida e provarei minha inocência”, afirma.

Por Felipe Freire e Marco Antônio Martins, TV Globo e G1 Rio

15/08/2019


O Ministério Público de nove estados realiza nesta quinta-feira (15) operações contra integrantes de organizações criminosas, como o tráfico, e contra policiais suspeitos de ligação com o crime.

Até as 7h45, 47 pessoas haviam sido presas.

As investigações dos Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaecos) resultaram em um total de 300 mandados, entre prisões e buscas, nos nove estados.

MP cumpre mandado na casa de chefe de facção que atua no Amazonas — Foto: Divulgação/MP-AM

MP cumpre mandado na casa de chefe de facção que atua no Amazonas — Foto: Divulgação/MP-AM

No Rio de Janeiro, a operação tem apoio da Polícia Federal e da Corregedoria da Polícia Militar.

A ação é articulada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), um colegiado que reúne os Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaecos) do Ministério Público.

As operações acontecem de forma simultânea nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro.

A ação no RJ

São três operações em andamento.

  • 41 mandados de busca e apreensão contra nove policiais militares (oito por associação criminosa e crime de corrupção passiva e um por associação para o tráfico). Todos afastados de suas funções pela Justiça.
  • Mandados de prisão contra sete traficantes em comunidades do Complexo de Madureira.
  • Tentativa de prisão contra suspeitos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, com denunciados que atuavam como “laranjas” para ocultar o dinheiro ilícito do tráfico de integrantes do Comando Vermelho.

A ação em outros estados

Acre: A previsão é de uma revista na Penitenciária Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco. O foco está em pavilhões dominados pelo PCC e pela facção local Bonde dos 13, aliada ao Primeiro Comando da Capital.

A ação busca a apreensão de ilícitos e informações sobre a quadrilha, além da identificação de pessoas que exercem posição de chefia nessas organizações.

Paralelamente, foram denunciadas à Justiça 69 pessoas presas na Operação Hemólise, realizada no dia 24 de julho, na Capital e em outros quatro municípios. Os denunciados são integrantes da maior facção do tráfico no Rio de Janeiro.

Alagoas: A operação cumpre 37 mandados de busca e apreensão e 42 de prisão contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, todos os mandados estão sendo cumpridos em municípios do litoral norte do estado. Os pedidos se baseiam em três Procedimentos de Investigação Criminal do Gaeco local e um inquérito da Delegacia de Narcóticos.

Amapá: São mandados em Macapá, Santana e Porto Grande. A operação, que também tem foco no combate ao tráfico de drogas, é contra a organização criminosa “Família Terror do Amapá”.

Amazonas: Estão sendo cumpridos três mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão.

Dentre os alvos da medida, encontram-se chefes da organização criminosa Família do Norte, considerada a terceira maior facção do Brasil.

Bahia: Estão sendo cumpridos 19 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. A operação acontece nos municípios de Senhor do Bonfim, Jacobina, Juazeiro, Capim Grosso, Serrolândia e Lauro de Freitas.

Entre os alvos, estão integrantes de organização criminosa ligada ao PCC que atua com tráfico de drogas e é responsável por diversos homicídios no estado. Onze promotores de Justiça, 74 policiais militares e 99 policiais rodoviários federais participam da ação.

Ceará: As operações Jericó e Al Qaeda cumprem 35 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão contra integrantes do PCC.

Agentes estão em endereços nas cidades de Fortaleza, Independência, Sobral, Juazeiro do Norte, Groaíras, Aquiraz, Maracanaú e Pacatuba.

Mato Grosso do Sul: 15 mandados de prisão estão sendo cumpridos contra integrantes do PCC com atuação no estado.

Pernambuco: Um mandado de prisão e busca e apreensão, em apoio a operação que combate a lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. O mandado está sendo cumprido na cidade de Petrolina.

Por Camila Henriques, G1 AM

Governador do Amazonas, Wilson Lima  — Foto: Camila Henriques/G1 AM

Governador do Amazonas, Wilson Lima — Foto: Camila Henriques/G1 AM

Nove detentos do sistema prisional do Amazonas devem ser transferidos para presídios federais até o fim desta semana. A informação é do governador Wilson Lima. A decisão ocorre após a morte de 55 presos em quatro cadeias de Manaus em menos de 48 horas.

Os nomes dos detentos e os crimes pelos quais eles respondem não foram informados pelo governador.

Ao G1, ele disse que o levantamento dos envolvidos no massacre ainda está em andamento e que, à medida que os presos forem identificados, o governo fará o pedido ao Ministério da Justiça e Segurança para transferência deles.

“A gente quer transferir ainda essa semana. São cabeças e são líderes de grupos criminosos”, informou o governador.

Na madrugada desta terça-feira (28), o ministro Sergio Moro informou, via Twitter, que o Governo Federal vai disponibilizar as unidades federais para receber presos do AM. “Vamos disponibilizar vagas nos presídios federais para transferência das lideranças envolvidas nesses massacres”, disse o ministro.

Além de fazer a transferência de presos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública enviará uma Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para atuar dentro das unidades prisionais. Há mais de dois anos, homens da Força Nacional atuam nos entornos dos presídios.

“[Nesta terça] chegam 20 homens da Força de Intervenção Penitenciária. Ideia é que um total de 100 homens cheguem até o fim da semana”, disse Wilson.

Na segunda-feira (27), o Governo do Amazonas afirmou que as mortes foram motivadas por um racha entre presos que integravam o mesmo grupo criminoso e que atua no tráfico de drogas no Estado.

Brigas entre detentos deixam 55 mortos entre domingo e segunda — Foto: Rodrigo Cunha e Roberta Jaworski

Brigas entre detentos deixam 55 mortos entre domingo e segunda — Foto: Rodrigo Cunha e Roberta Jaworski

Umanizzare

Os presídios que registraram as 55 mortes são administrados pela Umanizzare. Questionado sobre a permanência da empresa no sistema prisional do Amazonas, Wilson disse que irá “cumprir o contrato [renovado] na gestão anterior à dele”, mas que a terceirizada será substituída ainda em 2019.

“Já contratamos um estudo e [vamos], nos próximos 30 dias, lançar um processo licitatório para troca da Umanizzare. Tem um trâmite legal, mas, até o fim do ano, a expectativa é que tenhamos uma outra empresa. Nós vamos trocar. Estamos lançando um processo licitatório para que isso aconteça, para diminuir gastos e tornar o sistema mais eficiente”, disse.

Investigação

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) divulgou um ofício com 27 recomendações ao Governo do Amazonas. O órgão definiu um prazo de 72 horas para que o Governo apresente um relatório sobre os requerimentos citados no ofício.

As recomendações possuem caráter de urgência e, entre elas, estão o aumento na escala de serviços dos agentes e até o abate de drones nos arredores dos presídios. Segundo a procuradora-geral de Justiça, Leda Albuquerque, outros procedimentos serão instaurados.

Uma das recomendações diz respeito à Umanizzare e ao prazo dos contratos firmados com a terceirizada. Procurados pela Rede Amazônica, os representantes da empresa não quiseram comentar a investigação, mas disseram que atuam “como prevê a Lei de Execuções Penais”.

Massacre em 2017

Essa não foi a primeira matança de presos no Amazonas. Em janeiro de 2017, 56 detentos morreram

após uma rebelião no Compaj, que durou mais de 17 horas.

Um relatório do Ministério Público (MP-AM) feito naquele ano apontou que, para cuidar de um detento do Compaj, a Umanizzare cobrava R$ 4,7 mil mensais.

Apesar desse valor mais alto, o então governo do estado renovou os contratos com a empresa para continuar administrando os presídios. Só o Compaj custava aos cofres públicos, em 2017, R$ 5 milhões por mês. Na ocasião, a empresa disse que o relatório sobre os serviços prestados demonstravam o cumprimento integral dos termos dos contratos assinados com o governo do Amazonas.

Na semana passada, o G1 apurou junto à Vara de Execuções Penais que o custo médio do preso no Amazonas varia, atualmente, entre R$ 4 e R$ 4,2 mil.

Por G1

Manifestações em apoio a Jair Bolsonaro e propostas do governo ocorrem pelo país

Manifestações em apoio a Jair Bolsonaro e propostas do governo ocorrem pelo país

Ao menos 156 cidades em 26 estados e no Distrito Federal tiveram protestos entre a manhã e a tarde deste domingo (26) em defesa do presidente Jair Bolsonaro e de medidas do governo, como a reforma da Previdência e o pacote anticrime apresentado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro.

As convocações ganharam força após os protestos em defesa da educação do último dia 15, contra os cortes anunciados pelo governopara os ensinos superior e técnico federais.

Grupos de manifestantes saíram em passeatas e carreatas a partir desta manhã levando bandeiras do Brasil e faixas com frases de apoio a propostas apresentadas pelo governo de Bolsonaro. Até a última atualização desta reportagem, os atos eram pacíficos.

Os protestos também apoiavam a reforma ministerial do governo Bolsonaro, com redução de 29 para 22 no número de ministérios. Houve, ainda, grupo de manifestantes no Rio de Janeiro que pedia o fechamento do Congresso, o que é ilegal, inconstitucional e contra a democracia.

Bolsonaro fala em ‘recado’ para quem temia ‘velha política’

Neste domingo, por volta de 20h40, 156 cidades em todos os 26 estados e no Distrito Federal tinham tido protestos. No dia das manifestações em defesa da educação, às 19h30, 222 cidades de todos os 26 estados e do Distrito Federal tinham registrado atos.

Ao participar de culto no Rio de Janeiro ainda durante a manhã deste domingo, o presidente Jair Bolsonaro disse que as manifestações pró-governo são um “recado” aos que “teimam com velhas práticas” e, segundo afirmou, não permitem que o “povo se liberte”. O presidente disse que a manifestação era “espontânea”, tinha pauta definida e respeitou leis e instituições.

Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO, 10h07: Manifestantes fazem ato pró-Bolsonaro em Copacabana — Foto: Reprodução / TV Globo

RIO DE JANEIRO, 10h07: Manifestantes fazem ato pró-Bolsonaro em Copacabana — Foto: Reprodução / TV Globo

No Rio, o ato se concentrou na Avenida Atlântica, na orla de Copacabana. Manifestantes usavam, principalmente, roupas com cores verde e amarelo e carregavam bandeiras do Brasil. Vários carros de som se concentraram em dois pontos: na altura do Posto 5 e em frente à Rua Xavier da Silveira.

Por volta de 11h30, o ato se espalhava por sete quarteirões, com dois quarteirões cheios em cada extremo e com três mais espaçados entre eles, da Rua Sá Ferreira até perto da Rua Barão de Ipanema.

Parte dos manifestantes pedia o fechamento do Congresso, o que é ilegal, inconstitucional e viola a democracia.

No sul do estado do Rio de Janeiro, ao menos três cidades também tiveram protestos: Resende, Volta Redonda, Três Rios e Barra Mansa.

Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, os manifestantes se reuniram em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário. Também aconteceram atos em Macaé, em Saquarema, em São Pedro da Aldeia, em Iguaba Grande e em Casimiro de Abreu.

A cidade de São Pedro também contou com ato, mas organizadores e PM ainda não divulgaram estimativas.

Em Petrópolis, organizadores estimam cerca de 1,5 mil pessoas. Ainda na Região Serrana, aconteceram atos em Nova Friburgo e em Teresópolis.

Distrito Federal

BRASÍLIA, 10h34: Manifestantes se reúnem em frente ao gramado do Congresso Nacional — Foto: Fernanda Calgaro/G1

BRASÍLIA, 10h34: Manifestantes se reúnem em frente ao gramado do Congresso Nacional — Foto: Fernanda Calgaro/G1

Em Brasília, por volta das 9h, parte do grupo se concentrava no Museu da República, na região central da capital. Outra parte foi para o gramado do Congresso Nacional. Segundo a Polícia Militar do DF, cerca de 20 mil pessoas participaram.

São Paulo

SÃO PAULO - 14h08: Manifestantes fazem ato de apoio ao governo Bolsonaro na Avenida Paulista — Foto: GloboNews/Reprodução

SÃO PAULO – 14h08: Manifestantes fazem ato de apoio ao governo Bolsonaro na Avenida Paulista — Foto: GloboNews/Reprodução

Na Avenida Paulista, região central de São Paulo, os manifestantes começaram a se reunir no início desta tarde nas proximidades do prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ao menos cinco carros de som foram levados para o ato.

No interior do estado, manifestantes de Campinas protestaram no Largo do Rosário, na região central. A organização estimou 5 mil participantes, enquanto a PM calculou 3 mil.

Manifestações aconteceram também em Indaiatuba, Sumaré e Americana.

Em Sorocaba, o ato ocorreu em frente à Prefeitura da cidade com cerca de 1 mil pessoas, de acordo com a organização. A PM estima 400. Itu também teve manifestação.

Em São Carlos, os manifestantes se reuniram na praça do Mercadão. Segundo a organização do evento, por volta das 10h30 cerca de 500 pessoas participavam do ato. Já a Polícia Militar calculou cerca de 300.

Em Bauru, a manifestação teve cerca de 3 mil pessoas, segundo a polícia, e 5 mil segundo os manifestantes.

Em São José do Rio Preto, os manifestantes se reuniram em frente ao Mercado Municipal, no centro da cidade. Segundo os organizadores, 1,5 mil pessoas participaram do ato. Segundo a PM, 1 mil pessoas participaram. Houve protestos também em Fernandópolis.

Em Araçatuba, 1 mil pessoas participaram do ato, segundo a organização e PM. Também houve manifestações em Birigui, em Votuporanga e em Jales.

Em Mogi das Cruzes, o grupo começou a se reunir às 10h na Avenida Cívica. Os manifestantes se revezaram em discurso no microfone com palavras de apoio a Bolsonaro e às medidas do governo. De acordo com a Polícia Militar eram cerca de 200 pessoas. Segundo a organização, o número de participantes variava entre 250 e 300 pessoas.

Em Piracicaba, manifestantes se reuniram no Centro. Havia um carro de som, vários cartazes e camisetas nas cores da bandeira do Brasil. Às 11h35, organizadores e Guarda Municipal estimavam adesão de pelo menos 2,3 mil pessoas.

Em Jundiaí, moradores se reuniram no pontilhão da Avenida Nove de Julho. Segundo a organização, aproximadamente 1 mil pessoas estiveram no local. A PM estimou 300 pessoas.

RIBEIRÃO PRETO, 11h50: manifestantes fazem ato em apoio ao governo Bolsonaro em Ribeirão Preto neste domingo (26) — Foto: Ariane Lima/EPTV

RIBEIRÃO PRETO, 11h50: manifestantes fazem ato em apoio ao governo Bolsonaro em Ribeirão Preto neste domingo (26) — Foto: Ariane Lima/EPTV

Na região central de Ribeirão Preto, a Polícia Militar estimou uma adesão de 6 mil pessoas ao movimento e os organizadores, de 7 mil manifestantes. A dispersão ocorreu por volta das 11h45.

No Vale do Paraíba, estiveram presentes cerca de 1,5 mil pessoas em ato de São José dos Campos. A PM informou o número de manifestantes. Manifestações também aconteceram em Taubaté e em Jacareí.

Cerca de 500 pessoas foram ao Parque do Povo de Presidente Prudente para participar da manifestação, segundo organizadores. Também houve protesto em Ilha Solteira, Araras, Araraquara, Pirassununga, Rio Claro, São João da Boa Vista, Marília e Santa Cruz do Rio Pardo.

Em Jaú, organizadores estimam 1,2 mil participantes. PM não estimou número de manifestantes, mas contou 40 caminhões e 70 veículos. Assis também teve ato, assim como Limeira.

Santos contou com ato com cerca de 5 mil pessoas, de acordo com organizadores. Para a PM, eram cerca de 1 mil. Praia Grande, Guarujá e Registro também tiveram manifestações.

Também houve atos em Itapetininga, Itapeva, Tatuí e Avaré.

Bahia

SALVADOR, 10H52: Grupo realiza manifestação no Farol da Barra neste domingo (26) — Foto: Itana Alencar/G1SALVADOR, 10H52: Grupo realiza manifestação no Farol da Barra neste domingo (26) — Foto: Itana Alencar/G1

Em Salvador, o ato teve início por volta das 10h no Farol da Barra, e o grupo começou a se dispersar às 11h40. Os manifestantes cantaram o hino nacional e gritaram palavras de ordem, com pedidos de “avança, Brasil”. A organização e a Polícia Militar não divulgaram estimativa de público.

Também houve ato em Feira de Santana, a cerca de 100 quilômetros da capital baiana, e em Itabuna, no sul do estado.

O estado também teve atos em Juazeiro Camaçari, em Vitória da Conquista, em Porto Seguro, em Eunápolis, em Sobral e em Luís Eduardo Magalhães.

Minas Gerais

BELO HORIZONTE, 11h10: Belo Horizonte tem ato em apoio ao governo Bolsonaro neste domingo (26) — Foto: Aluisio Marques/TV Globo

BELO HORIZONTE, 11h10: Belo Horizonte tem ato em apoio ao governo Bolsonaro neste domingo (26) — Foto: Aluisio Marques/TV Globo

Em Belo Horizonte, a concentração do protesto começou por volta das 10h, na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital. Organizadores estimam que 35 mil pessoas tenham participado do ato, mas a PM não divulgou números.

Em Uberaba, na região do Triângulo Mineiro, cerca de 400 pessoas participavam do ato no fim da manhã, segundo organizadores. A Polícia Militar não fez estimativa de público.

Também houve protestos em Ipatinga, Timóteo e Governador Valadares, no Leste de Minas.

No Sul do estado, houve atos em Varginha, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Itajubá e Lavras.

Em Montes Claros, o ato na área central da cidade reuniu cerca de 500 pessoas, segundo a PM. Os organizadores não divulgaram números.

Organizadores do ato em Juiz de Fora informaram que cerca de 10 mil manifestantes compareceram. A PM não divulgou números.

Em Alfenas, manifestantes se reuniram na Praça Central e depois saíram em carreata pela cidade. Nem a organização, nem a Polícia Militar informaram números.

Pará

BELÉM, 10h22 : Ato pró-bolsonaro chega à avenida Nazaré no centro de Belém — Foto: Fabiano Villella / TV Liberal

BELÉM, 10h22 : Ato pró-bolsonaro chega à avenida Nazaré no centro de Belém — Foto: Fabiano Villella / TV Liberal

Em Belém, manifestantes caminhavam pela Avenida Presidente Vargas. A coordenação do evento afirmou que, ao final do ato, às 12h, cerca de 50 mil pessoas participaram. A Polícia Militar estima que às 10h55 o ato tenha reunido cerca de 3 mil pessoas.

Maranhão

SÃO LUÍS: 11h55. Manifestantes fazem passeata neste domingo (26) em apoio ao governo Bolsonaro na Avenida Litorânea — Foto: Douglas Pinto/TV Mirante

SÃO LUÍS: 11h55. Manifestantes fazem passeata neste domingo (26) em apoio ao governo Bolsonaro na Avenida Litorânea — Foto: Douglas Pinto/TV Mirante

Em São Luís, manifestantes se reuniram na Avenida Litorânea. De acordo com os manifestantes, mais de 1 mil pessoas participaram do ato. A PM não divulgou estimativa. Também houve manifestação em Imperatriz.

Pernambuco

Em Recife, de acordo com a organização do evento por volta das 15h50 havia cerca de 65 mil pessoas participando. A PM não divulga estimativa de participantes em manifestações de rua. Ao menos seis trios elétricos acompanham os manifestantes.

Em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o grupo se concentrou em frente ao Polo Cultural (antiga Estação Ferroviária), no Centro. Não há informações sobre a quantidade de pessoas. Houve protestos também em Petrolina.

Alagoas

Maceió, 11h: Manifestantes cantam hino nacional na Praça Vera Arruda — Foto: Magda Ataíde/G1

Maceió, 11h: Manifestantes cantam hino nacional na Praça Vera Arruda — Foto: Magda Ataíde/G1

Em Alagoas, manifestantes percorreram a orla de Maceió. Segundo a organização, às 12h, cerca de 20 mil pessoas estavam na manifestação. A PM não acompanhou. O estado também teve ato em Arapiraca.

Mato Grosso

Protesto a favor de medidas propostas pelo governo federal em Barra do Garças. — Foto: Ivan de Jesus/Centro América FM

Protesto a favor de medidas propostas pelo governo federal em Barra do Garças. — Foto: Ivan de Jesus/Centro América FM

Em Cuiabá, manifestantes fizeram carreata pela cidade, mas não há estimativa de participantes. Houve protesto também em Rondonópolis.

O estado também teve atos em Tangará da Serra, Barra do Garças e Sorriso.

Paraná

FOZ DO IGUAÇU, 11h: Manifestantes se reúnem na Praça do Mitre — Foto: Renan Gouveia/RPC

FOZ DO IGUAÇU, 11h: Manifestantes se reúnem na Praça do Mitre — Foto: Renan Gouveia/RPC

Em Curitiba, organizadores estimam que cerca de 15 mil pessoas se reuniram na Praça Santos Andrade. A PM não fará contagem.

Em Foz do Iguaçu, região Oeste do estado, manifestantes usaram dois caminhões que eram utilizados pelo Exército na década de 70 e agora pertencem a um colecionador. A organização estimou a participação de 2,5 mil pessoas.

Em Cascavel, também no oeste do estado, o protesto foi realizado na frente da Catedral de Cascavel. Os organizadores estimam que 15 mil pessoas participaram da manifestação. A Polícia Militar fala em 1,5 mil manifestantes.

Guarapuava, Ponta Grossa e Umuarama também contam com manifestações. Também houve ato em Londrina e em Maringá.

Acre

CRUZEIRO DO SUL, 09H34h: Cerca de 30 manifestantes se reúnem na Praça Orleir Cameli neste domingo (26), segundo a organização do ato — Foto: Mazinho Rogério/G1

CRUZEIRO DO SUL, 09H34h: Cerca de 30 manifestantes se reúnem na Praça Orleir Cameli neste domingo (26), segundo a organização do ato — Foto: Mazinho Rogério/G1

Na capital do Acre, Rio Branco, manifestantes começaram a concentração em frente ao Palácio Rio Branco, no Centro da cidade. A organização não soube precisar quantas pessoas participam do ato, por conta da rotatividade. A Polícia Militar acompanhou a manifestação, mas informou que não faz mais estimativa de público.

O município de Cruzeiro do Sul também teve manifestação, com cerca de 30 pessoas, segundo a organização. A Polícia Militar não acompanhou.

Santa Catarina

Em Florianópolis, as mediações da Praça XV de Novembro foram fechadas para a realização da manifestação, que contou com 10 mil pessoas, de acordo com organizadores. A PM estima 9 mil.

Em Balneário Camboriú, a Praça Almirante Tamandaré foi o ponto de encontro dos participantes. A Guarda Municipal informou que pelo menos 5 mil pessoas compareceram no protesto. A organização não divulgou a estimativa.

Em Joinville, caminhoneiros se juntaram à manifestação, que contou com 2 mil pessoas, de acordo com a organização. A PM fala em 700.

Em Criciúma também houve manifestação. Conforme a organização, 3 mil pessoas participaram. A Polícia Militar não falou oficialmente sobre números.

Em Chapecó também houve manifestação. A PM diz que o ato reuniu 350 pessoas, enquanto organização informou que eram 1,2 mil.

Houve ainda profestos em Blumenau, onde, segundo organizadores, 5 mil pessoas participaram. A PM não divulgou estimativa. A região do Vale do Itajaí ainda teve atos em Brusque e em Gaspar.

Ceará

FORTALEZA, 14h27: Manifestantes participam de carreata em apoio ao presidente Jair Bolsonaro neste domingo (26) — Foto: Flávio Rovério/SVM

FORTALEZA, 14h27: Manifestantes participam de carreata em apoio ao presidente Jair Bolsonaro neste domingo (26) — Foto: Flávio Rovério/SVM

Em Fortaleza, manifestantes para uma carreata desde as 13h. Até as 14h15, a estimativa de número de participantes não havia sido divulgada pelos manifestantes nem pela Polícia Militar. Também houve ato em Juazeiro do Norte.

Espírito Santo

Manifestantes percorreram ruas de Vitória e Vila Velha. O protesto começou por volta das 14h, no bairro Praia da Costa, em Vila Velha. Também houve protesto em Cachoeiro de Itapemirim.

Goiás

Em Goiânia, um grupo de manifestantes realizou um ato pela aprovação da reforma da previdência e do “pacote anticrime”. A organização estima que 12 mil pessoas participavam às 17h. Já a Polícia Militar disse que cerca de 10 mil estavam no local no mesmo horário. Jataí, Catalão e Anápolis também tiveram manifestações.

Rio Grande do Norte

Em Natal, manifestantes se posicionam favoravelmente à reforma da previdência, ao pacote anticrime e à manutenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) nas mãos do ministro Sérgio Moro. Os organizadores estimam que 20 mil pessoas participaram do ato. A PM não informou número. Houve protesto também em Mossoró.

Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre, manifestação apoiou medidas como a reforma da Previdência, o “pacote anticrime” e o decreto das armas. A organização estimou cerca de 40 mil pessoas. A Brigada Militar informou que não faria estimativas.

Em Caxias do Sul, na Serra, organizadores estimaram 1,5 mil pessoas. A Brigada Militar falou em 1 mil. O estado também teve atos em Erechim, Santa Maria, Rio Grande, Passo Fundo, Cruz Alta, Pelotas, Uruguaiana, Santa Rosa e Bagé.

Sergipe

Em Aracaju, houve manifestação favorável à reforma da Previdência, ao pacote anticrime e à manutenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Justiça. Organização e PM não divulgaram estimativa.

Tocantins

Em Palmas, cerca de 800 pessoas se reuniram para manifestar apoio ao governo do presidente, segundo organizadores. A estimativa da PM foi de 600 participantes.

Em Paraíso do Tocantins, a organização estimou 1,5 mil pessoas no ato organizado na cidade. A PM não divulgou estimativa. O estado ainda teve manifestações em Colinas do Tocantins, Araguaína, Gurupi e Guaraí.

Paraíba

Houve manifestações em João Pessoa e em Campina Grande, mas organizadores e PM não divulgaram estimativa de participantes.

Roraima

Em Boa Vista, a manifestação reuniu 1 mil pessoas, segundo a organização. A PM estimou o número em 1,5 mil.

Piauí

Em Teresina, cerca de 3 mil pessoas participaram de manifestação, segundo organizadores. A Polícia Militar estimou 1 mil pessoas

Piripiri e Parnaíba registraram manifestações, mas organização e PM não divulgaram estimativas de participantes.

Amapá

MACAPÁ, 17h: Manifestantes se reúnem na orla de Macapá em ato pró-Bolsonaro neste domingo (26) — Foto: Carlos Alberto Jr/G1

MACAPÁ, 17h: Manifestantes se reúnem na orla de Macapá em ato pró-Bolsonaro neste domingo (26) — Foto: Carlos Alberto Jr/G1

Em Macapá, dois grupos organizaram atos. Em um deles, PM e organização estimam cerca de 5 mil participantes. No outro, organizadores contam por volta de 1 mil pessoas, e a polícia fala em 100.

Rondônia

Os organizadores dos protestos em Porto Velho estimaram participação de 500 manifestantes – a PM não divulgou estimativa. Ariquemes e Ji-Paraná registraram atos sem estimativas de organização ou da PM.

Em Cacoal, organizadores afirmam que ato conta com 500 participantes, enquanto a PM não divulgou estimativa.

Amazonas

Em Manaus, manifestantes se reuniram para apoiar medidas do governo federal. Organização e PM não divulgaram estimativas.

Mato Grosso do Sul

Em Campo Grande e em Dourados, manifestações reuniram cerca de 5 mil pessoas cada, segundo as organizações. A PM não divulgou estimativas. O estado também teve atos em Ponta Porã e em Três Lagoas.

Por Carolina Dantas, G1

22/05/2019

A instalação de hidrelétricas, um complexo de portos e três ferrovias na região da bacia do Tapajós, no Pará, colocam em lados opostos os argumentos daqueles que apostam em conquistas econômicas para o Brasil e de outros que temem que as estruturas sejam vetores de desmatamento na floresta amazônica.

A região é apontada como uma saída para escoar a produção de grãos para a China. Tanto os que chegam das colheitas de outros estados quanto os que são do próprio Pará. O diretor do Sindicato Rural de Santarém (Sirsan), Sérgio Schwade, explica que a expansão da infraestrutura é necessária para a garantir um aumento da produção local.

“O agronegócio representa 33% do PIB aqui da região” – Sérgio Schwade, diretor do Sindicato Rural de Santarém

Schwade diz que a região deve atingir, no próximo ano, uma produção de soja e milho dentro da média nacional. Por hectare, a previsão é de 80 sacas de soja e de 80 a 100 sacas de milho.

Ele defende que o agricultor que infringir as leis ambientais seja multado, mas que é preciso dar condições para que a produção ocorra dentro das regras e para que a exportação ocorra.

“Os produtos in natura são colhidos hoje e precisam ser consumidos amanhã. Como fazer isso? Manaus não absorve tudo, Macapá não absorve tudo. Aqui nós estamos em um canal de exportação. O produto não é verticalizado para todo o Brasil porque existe uma troca entre países, um intercâmbio. Ele é feito assim: vai o grão e volta outra coisa, volta fertilizante, outros produtos, outros derivados”, afirma o diretor do sindicato rural.

O secretário municipal de Agricultura e Pesca de Santarém, Bruno Costa, também não vê um embate entre a abertura de infraestrutura na região e a preservação. Segundo ele, o “município se posiciona, respeita e acompanha dentro da competência todos os estudos de impacto das instalações”.

Abertura de infraestrutura na bacia do Tapajós — Foto: Rodrigo Sanches/G1Abertura de infraestrutura na bacia do Tapajós — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Abertura de infraestrutura na bacia do Tapajós — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Impacto global

Caetano Scannavino, morador da região há 30 anos e coordenador da ONG Saúde e Alegria, diz que não é contra a expansão do agronegócio, mas defende um estudo global sobre o impacto da instalação de um complexo de hidrelétricas, portos e ferrovias.

“Uma coisa é a gente pensar em infraestrutura para a Amazônia. Outra coisa é a gente pensar em infraestrutura na Amazônia para o Sudeste”, comenta Scannavino.

Segundo ele, projetos como o fim do asfaltamento da BR-163 e a criação de ferrovias, como a Ferrogrão, não são exatamente pensados para a região. “Historicamente, colocaram a hidrelétrica de Tucuruí e só depois de 10 anos as comunidades que vivem em volta foram eletrificadas”.

Em fevereiro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, esteve no Pará e afirmou que o plano é concluir o asfaltamento da BR-163 até o fim do ano e que há estudos para a concessão da rodovia.

Santarém é um dos centros para saída da soja no Pará — Foto: Marcelo Brandt/G1

Santarém é um dos centros para saída da soja no Pará — Foto: Marcelo Brandt/G1

A promotora de Justiça Ione Nakamura, do Ministério Público do Estado do Pará, avalia que a bacia do Tapajós foi transformada em área de interesse para diferentes atividades econômicas. “É uma área de expansão agrícola, minerária, projetos de infraestrutura e de logística”, afirma a promotora.

Para ela, um ponto a ser considerado na avaliação do conjunto de obras é o possível aumento desenfreado da população na região e o impacto que ela pode causar. Ela defende a busca do equilíbrio.

“Imagina o que é multiplicar a população? Nós vamos estar automaticamente poluindo o rio que muitas pessoas usam para subsistência. Esta preocupação nós precisamos ter: criar infraestrutura para atender demandas sem comprometer o meio ambiente.” – Ione Nakamura, promotora de Justiça

Rio Tapajós tem intenso fluxo de barcos no Pará — Foto: Marcelo Brandt/G1

Rio Tapajós tem intenso fluxo de barcos no Pará — Foto: Marcelo Brandt/G1

O ambientalista Danicley Aguiar, porta-voz do Greenpeace, afirma que a ONG acompanhou a instalação de hidrelétricas, mas também não tem uma análise “macro” do impacto dos projetos de infraestrutura, e que isso não está previsto na legislação brasileira.

“Infelizmente, isso não é uma prática no Brasil. Você vai colocando uma estrada aqui, uma hidrelétrica ali, e aí você não traz para o debate da sociedade o que pode acontecer com o conjunto de obras”, afirma.

Desmatamento na Amazônia: mais da metade da floresta está em Unidade de Conservação

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