Discurso de Bolsonaro na ONU, bombardeio a refinarias de petróleo na Arábia Saudita, veja os principais temas de atualidades de setembro

    • EDUCAÇÃO
    • Do R7
  •  03/10/2019

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e os principais vestibulares do país estão chegando. Confira os principais assuntos de atualidades do mês, que podem cair nas provas:

 

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) abriu a 74ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), mantendo a tradição de um brasileiro abrir os discursos. Bolsonaro falou sobre diversos temas entre eles a abertura da economia. O discurso foi marcado por um tom ideológico, passando por temas como religiosidade, família, período militar e críticas à esquerda, ao socialismo e à imprensa. Falou, como era esperado, sobre a Amazônia e soberania nacional
Foto: Alan Santos / PR – 28.06.2019

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) abriu a 74ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), mantendo a tradição de um brasileiro abrir os discursos. Bolsonaro falou sobre diversos temas entre eles a abertura da economia. O discurso foi marcado por um tom ideológico, passando por temas como religiosidade, família, período militar e críticas à esquerda, ao socialismo e à imprensa. Falou, como era esperado, sobre a Amazônia e soberania nacional.

Greta Thunberg, jovem ativista sueca, criadora da Greve pelo Clima, participou de Cúpula das Nações Unidas, em seu discurso, na abertura de uma conferência sobre o clima, ela afirmou: 'Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias' e cobrou ações mais efetivas sobre as mudanças climáticas. Jovens brasileiros também participaram dos debates como a ativista Paloma Costa 
Foto: EFE

Greta Thunberg, jovem ativista sueca, criadora da Greve pelo Clima, participou de Cúpula das Nações Unidas, em seu discurso, na abertura de uma conferência sobre o clima, ela afirmou: “Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias” e cobrou ações mais efetivas sobre as mudanças climáticas. Jovens brasileiros também participaram dos debates como a ativista Paloma Costa.

As queimadas continuam, desta vez atinge o Cerrado, a fumaça chegou ao interior de São Paulo e Minas Gerais. O tempo seco favorece que as chamas se propaguem rapidamente, mas para os especialistas, o fogo deve ter começado por ação humana. Neste mês de setembro, a região registrou mais focos de incêndio que a Amazônia. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, teve 3 mil hectares incendiados e outros 3,5 mil em torno foram atingidos
Foto: Reprodução Twitter

As queimadas continuam, desta vez atinge o Cerrado, a fumaça chegou ao interior de São Paulo e Minas Gerais. O tempo seco favorece que as chamas se propaguem rapidamente, mas para os especialistas, o fogo deve ter começado por ação humana. Neste mês de setembro, a região registrou mais focos de incêndio que a Amazônia. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, teve 3 mil hectares incendiados e outros 3,5 mil em torno foram atingidos.

A morte da menina Ágatha Félix, de apenas 8 anos, comoveu o país. A menina levou um tiro de fuzil no morro do Alemão, no Rio de Janeiro, quando voltava de uma passeio com a mãe. Ela estava no banco traseiro de uma Kombi. Segundo familiares e moradores não havia tiroteio no momento. Segundo o motorista, a polícia fez dois disparos contra motociclistas que passavam no local e, possivelmente, teriam atingido Ágatha. Os policiais alegaram que atiraram em traficantes. Moradores fizeram diversos protestos no local. Ela foi a 5ª criança assassinada, neste ano, no local
Foto: Reprodução

A morte da menina Ágatha Félix, de apenas 8 anos, comoveu o país. A menina levou um tiro de fuzil no morro do Alemão, no Rio de Janeiro, quando voltava de uma passeio com a mãe. Ela estava no banco traseiro de uma Kombi. Segundo familiares e moradores não havia tiroteio no momento. Segundo o motorista, a polícia fez dois disparos contra motociclistas que passavam no local e, possivelmente, teriam atingido Ágatha. Os policiais alegaram que atiraram em traficantes. Moradores fizeram diversos protestos no local. Ela foi a 5ª criança assassinada, neste ano, no local.

Bombardeios com drones a petrolíferas da Arábia Saudita aumentaram a tensão no Oriente Médio. Os ataques foram reivindicados por rebeldes do Iêmen. A consequência imediata dos atentados foi uma redução de 5% na produção internacional de petróleo e a alta do preço do barril mundo afora
Foto: REUTERS/Stringer/16.09.2019

Bombardeios com drones a petrolíferas da Arábia Saudita aumentaram a tensão no Oriente Médio. Os ataques foram reivindicados por rebeldes do Iêmen. A consequência imediata dos atentados foi uma redução de 5% na produção internacional de petróleo e a alta do preço do barril mundo afora.

No primeiro dia de outubro, o Senado aprovou o texto base da Reforma da Previdência em 1º turno. Validação do relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) por 56 votos a 19 deixa mudança no sistema de aposentadorias a um passo de ser oficializada. Entre as mudanças aprovadas aparecem a idade mínima de 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens) e 15 anos de contribuição para conquistar a aposentadoria
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado – 24.9.2019

No primeiro dia de outubro, o Senado aprovou o texto base da Reforma da Previdência em 1º turno. Validação do relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) por 56 votos a 19 deixa mudança no sistema de aposentadorias a um passo de ser oficializada. Entre as mudanças aprovadas aparecem a idade mínima de 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens) e 15 anos de contribuição para conquistar a aposentadoria.

Presidente já tem na agenda compromissos com o ministro da Casa Civil e o chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República

    • BRASIL
    • Do R7
  •  25/09/2019

Após discursar na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (24), o presidente da República Jair Bolsonaro embarcou ao Brasil durante a noite e, três horas depois de pousar no país, vai iniciar uma agenda intensa de compromissos no Palácio do Planalto.

A expectativa é que Bolsonaro chegue a Brasília por volta das 7h30 desta quarta (25).Está previsto que Bolsonaro deve ser reunir às 10h com Jorge Antonio de Oliveira Francisco, Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. A pauta do encontro não foi divulgada.

Logo depois ele se reúne com o ministro Onyx Lorenzoni, da Casa Civil.  A expectativa é que o presidente inicie as articulações políticas para contornar os recentes vetos da Câmara dos Deputados para atos sancionados pelo Presidente, entre elas os 18 vetos da lei de abuso de autoridade.

No período da tarde, a partir das 15h, se reunirá novamente com Lorenzoni e com o secretário-executivo da Casa Civil, José Vicente Santini. A pauta deste encontro também não foi divulgada.

Prevista para terça-feira (24), a declaração, com duração protocolar de 20 minutos, é aguardada com interesse pela comunidade internacional

    • BRASIL
    • Marco Antonio Araujo, do R7
  •  23/09/2019 

presidente Jair Bolsonaro desembarca nesta segunda-feira (23), às 14h45, em Nova York, onde fará o tradicional discurso de abertura reservado ao Brasil na Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Prevista para ocorrer na terça-feira (24), a declaração, com duração protocolar de 20 minutos, é aguardada com interesse pela comunidade internacional. A expectativa é que se confirme um tom conciliatório para as questões ambientais envolvendo o Brasil.

Como antecipou o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, será um discurso em que o presidente “vai defender as potencialidades do país e vai fazer uma defesa enfática daquilo que estamos realizando no tocante à questão de meio ambiente ligado ao desenvolvimento sustentável”.

Bolsonaro pesquisou os discursos dos presidentes brasileiros – que abrem a Assembleia Geral da ONU desde 1947 – e fez ajustes nos termos da fala em reunião com o filho indicado a embaixador Eduardo Bolsonaro e os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do gabinete de Segurança Institucional, general Heleno.

“Pode ter algum problema lá, mas vocês terão um presidente falando com coração, com patriotismo, defendendo a soberania nacional, que está ameaçada”, disse o presidente, prevendo embates com chefes de Estado dos países europeus sobre a crise ambiental na Amazônia.

Em função de restrições médicas, o presidente terá apenas três compromissos em Nova York. Além do discurso, Bolsonaro terá um encontro bilateral com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e uma conversa com o presidente norte-americano, Donald Trump.

Na viagem, Bolsonaro será acompanhado da mulher, Michelle Bolsonaro, do filho Eduardo e dos ministros do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do chanceler Ernesto Araújo.

Biocombustíveis

O presidente Jair Bolsonaro irá aproveitar a discussão mundial sobre meio ambiente e clima para promover o programa brasileiro de biocombustíveis, cuja defesa ficará concentrada no Ministério das Minas e Energia.

Está prevista uma série de reuniões com empresários e investidores do setor, a cargo do ministro Bento Albuquerque. Outros encontros bilaterais que estavam sendo organizados estão sendo coordenados pelo chanceler Ernesto Araújo.

Veja abaixo a agenda da viagem:

Segunda-feira (23)

7h – Partida de Brasília para Nova York
Local: Base Aérea de Brasília
Duração: 8h45min de voo (-1h de fuso)

14h45 – Chegada a Nova York
Local: Aeroporto Internacional John Fitzgerald Kennedy

Tarde: Reunião de Trabalho da Senhora Michelle Bolsonaro com a Aliança de Cônjuges de Chefes de Estado e Representantes (ALMA)
Local: Missão do Paraguai junto às Nações Unidas

Noite: Reunião bilateral da Senhora Michelle Bolsonaro com a Primeira Dama da República Dominicana, Senhora Candida Montillo de Medina
Local: Missão do Paraguai junto às Nações Unidas

Terça-feira (24)

Manhã: Chegada à sede da ONU
Local: Edifício da Assembleia-Geral

Manhã: Encontro com o Excelentíssimo Senhor António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas
9h: Abertura do Debate Geral da 74ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (AGNU) Local: Sede das Nações Unidas, Salão da Assembleia Geral

Horário a definir: Encontro com o Senhor Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.

Tarde: Reunião com empresários
Local: Hotel Intercontinental Barclay

Tarde: Participação da Senhora Michelle Bolsonaro em encontro promovido pelo Unicef “The missing billion in Universal Health Coverage: children and persons with development delays and disabilities” (“O bilhão excluído da Cobertura Universal de Saúde: crianças e pessoas com dificuldades no desenvolvimento e deficiências”)
Local: Biblioteca Pública de Nova York

21h45 – Partida de Nova York para Brasília
Local: Aeroporto Internacional John Fitzgerald Kennedy
Duração: 8h45 (+1 hora de fuso)

Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, será ‘um discurso de coração onde ele vai defender as potencialidades do país’

    • BRASIL
    • por Reuters
  •  19/09/2019

O presidente Jair Bolsonaro vai fazer um discurso “de coração” no qual vai defender de forma “enfática” o trabalho que o país está fazendo na questão do meio ambiente ligado a um desenvolvimento sustentável no pronunciamento previsto para a próxima semana na Assembleia Geral da ONU, disse o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros.

“É um discurso de coração onde ele vai defender as potencialidades do país e vai fazer uma defesa enfática daquilo que estamos realizando no tocante à questão de meio ambiente ligado ao desenvolvimento sustentável”, disse Rêgo Barros em briefing no Planalto nesta quarta-feira.

“Um pouco para desconstruir essa narrativa, particularmente no ambiente externo, de que o Brasil não cuida da Amazônia, não cuida do meio ambiente e que não está muito interessado nele”, acrescentou.

Desde agosto o país tem sido alvo de críticas de autoridades internacionais diante do aumento – registrado por dados oficiais do governo – do número de queimadas na região amazônica. Rêgo Barros destacou que, ao contrário do que se diz, o governo está debruçado sobre o tema, com ministérios envolvidos em ações sobre a coordenação do presidente.

O porta-voz disse que Bolsonaro – que se recupera da quarta cirurgia que passou após o atentado à faca – teve um ótimo dia em termos clínicos e garantiu que ele vai a Nova York para a reunião na ONU.

Rêgo Barros, entretanto, afirmou que foi cortada a escala que Bolsonaro faria no Texas na viagem de volta.

O porta-voz esclareceu que não houve qualquer veto da ONU à participação do presidente brasileiro a um encontro sobre clima, que antecede à Assembleia-Geral, ressaltando que o país não vai participar dessa reunião.

Também frisou que Bolsonaro não vai participar de um encontro que estaria sendo organizado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para debater sobre clima e a crise das queimadas na Amazônia. Rêgo Barros disse que Bolsonaro reitera que quem deve discutir a solução para a região são os países que a integram.

Ao ser instado a comentar notícia de que o acordo Mercosul-União Europeia teria sido vetado pelo Parlamento austríaco, o porta-voz disse, sem dar detalhes, que o Brasil tem esperança de que se confirme os termos do acordo pelos países integrantes dos dois blocos econômicos.

Polícia Federal

O porta-voz afirmou que o presidente considera que a Polícia Federal está sendo “bem conduzida” pelo seu diretor-geral, quando foi questionado sobre se um encontro entre Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, tratou da permanência de Maurício Valeixo no cargo.

Rêgo Barros disse que decisões sobre a condução da PF ficam sob a responsabilidade do ministério comandado por Moro, embora tenha ressaltado que claramente o presidente tem suas preocupações sobre os nomes eventualmente escolhidos.

“O presidente me deixou claro o seguinte ponto: diretamente nunca fez nenhum tipo de restrição ao doutor Valeixo, reconhece o seu trabalho e reforça que decisões relativas diretamente à Polícia Federal são de responsabilidade do ministro Sergio Moro.”

É uma sinalização de mudança de postura do Palácio do Planalto, uma vez que o presidente já chegou a falar publicamente no mês passado que é ele quem escolhe o diretor-geral da PF.

Por BBC

2/08/2019


O governo da Etiópia afirma ter batido um recorde capaz de trazer grandes benefícios ambientais ao país.

Mais de 350 milhões de árvores foram plantadas nesta segunda-feira (30) em apenas 12 horas, de acordo com Getahun Mekuria, ministro de Inovação e Tecnologia.

A força-tarefa ocorreu em mais de mil áreas do país, e os líderes da iniciativa dizem que se trata de um novo recorde mundial.

O atual recorde de plantio de árvores em um único dia pertence à Índia, onde 800 mil voluntários plantaram mais de 50 milhões de árvores em 2016.

A plantação em massa faz parte de um projeto do governo chamado Green Legacy Initiative (Iniciativa do Legado Verde, em tradução livre), que busca combater “a assustadora degradação ambiental” que o país está sofrendo.

Plantio de árvores na Etiópia busca combater degradação ambiental que o país sofre  — Foto: Unsplash

Plantio de árvores na Etiópia busca combater degradação ambiental que o país sofre — Foto: Unsplash

Apoio da ONU

As mudas foram plantadas por voluntários, enquanto equipes do governo se encarregaram de fazer a contagem, segundo informou Kalkidan Yibeltal, jornalista da BBC em Addis Abeba, capital da Etiópia.

Não houve expediente em alguns órgãos públicos para permitir a participação dos funcionários.

A iniciativa também contou com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e das embaixadas de alguns países na Etiópia.

De acordo com Yibeltal, vídeos transmitidos pelos meios de comunicação estatal convidavam a população a plantar árvores e cuidar delas.

A meta do projeto é plantar 4 bilhões de árvores.

Desmatamento e seca

Segundo dados da ONU, no início do século 20, as florestas ocupavam 35% do território da Etiópia, mas esse percentual foi caindo até chegar a pouco mais de 4% nos anos 2000.

Com 103 milhões de habitantes, a Etiópia é a segunda nação mais populosa da África, depois da Nigéria.

O país é vulnerável a desastres ambientais causados pelas mudanças climáticas, especialmente às secas, que se intensificaram nos últimos anos e afetam milhões de pessoas.

As secas dificultam a obtenção de água e alimentos e já provocaram um deslocamento interno de cerca de 3 milhões de pessoas, segundo dados da ONU.

O projeto de plantio de árvores é liderado pelo primeiro-ministro do país, Abiy Ahmed, que compartilhou fotos da empreitada.

Os críticos de Abiy dizem que o mandatário está usando a campanha para distrair a população em relação aos desafios enfrentados por seu governo, incluindo conflitos étnicos que obrigaram quase 2,5 milhões de pessoas a deixar suas casas.

Por Emily Costa, G1 RR — Boa Vista

01/08/2019 06h00  Atualizado há uma hora


Jovens mães e grávidas venezuelanas que chegam ao Brasil fugindo da crise em seu país e moram em Roraima denunciam que vêm sofrendo assédio de pessoas interessadas em comprar seus filhos.

Em junho e julho, o G1 ouviu relatos de três mulheres que vivem em situação de rua em Boa Vista. Segundo elas, as ofertas variam entre R$ 200 e R$ 6 mil por cada criança.

O Ministério Público Federal e o Estadual têm recebido denúncias de casos desse tipo. A Polícia Federal investiga, mas não dá detalhes a respeito.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê como crime “prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa”. A pena vai de um a quatro anos e multa.

A estimativa é que 32 mil venezuelanos vivam na capital do estado que é a principal porta de entrada dos que cruzam a fronteira. Na cidade, há famílias inteiras, muitas delas com crianças, morando nas ruas ou em casas e prédios abandonados.

Uma venezuelana de 25 anos disse que, em junho, uma brasileira se propôs a pagar R$ 6 mil por sua filha mais nova, de apenas seis meses. A mulher disse que recebeu a oferta quando estava com a criança em um supermercado em Boa Vista.

“Ela falou que R$ 6 mil era muito dinheiro e que, com ele, eu poderia manter meus outros filhos”, contou a jovem. “A brasileira me disse: ‘Te dou R$ 6 mil, e você me dá a menina. Você pode ter outros, mas eu não’. E eu disse: ‘Não dou e nem vendo meus filhos’.”

Em setembro de 2018, um homem de Bangladesh e uma brasileira foram presos em flagrante pela PF quando tentavam registrar uma venezuelana recém-nascida em um cartório na capital. Segundo a PF, o acordo foi de R$ 2 mil.

Organização confirma assédio a mães e grávidas

Em entrevista ao G1, Yssyssay Rodrigues, coordenadora de projetos da Organização Internacional de Migração (OIM) em Roraima, disse que não há estatísticas, mas confirma que o assédio a mães e grávidas tem ocorrido.

“No ano passado, uma pessoa foi inclusive presa próximo a um abrigo. Ela não estava com a criança, mas foi pega na tentativa [de aliciar uma criança]. É o caso mais concreto que tivemos, mas temos bastantes relatos desse tipo”, afirmou.

“Temos orientado e encaminhado essas pessoas a denunciar às autoridades competentes, porque às vezes elas não têm consciência da gravidade da situação, de que se trata de um crime, já que na proposta o aliciador muitas vezes diz que vai cuidar da criança, que ela ficará melhor.”

Além desse assédio a mães para vender seus bebês, a Assembleia Legislativa de Roraima registrou, no primeiro semestre deste ano, seis casos de tráfico humano envolvendo vítimas venezuelanas, sem detalhar as circunstâncias em que ocorreram.

Ainda com relação a tráfico humano, a OIM diz que esse número pode ser maior, pois muitos casos não chegam sequer a ser denunciados.

Uma pesquisa da própria OIM e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) feita em 2018 assinalou riscos de exploração sexual, ameaças de violência e trabalho infantil de crianças venezuelanas em Roraima.

Relatos de mulheres assediadas para vender bebês

Uma mãe venezuelana de 35 anos ouvida pelo G1 afirmou que em junho quatro homens, entre eles um venezuelano, abordaram sua filha, que carregava o irmão de sete meses no colo. Segundo ela, o grupo ofereceu R$ 200 pelo bebê.

“Minha filha pensou que fosse uma brincadeira e disse ao venezuelano que R$ 200 era muito pouco. Então, ele ofereceu R$ 500. Ela ficou com medo e se afastou”, relatou.

Uma outra mulher, de 44 anos, disse que recebeu a proposta de R$ 2 mil pela neta quando estava pedindo ajuda na porta de uma farmácia.

Mãe de 35 anos e bebê que foi alvo de proposta de R$ 200 — Foto: Emily Costa/G1 RR

Mãe de 35 anos e bebê que foi alvo de proposta de R$ 200 — Foto: Emily Costa/G1 RR

“Um carro parou, e um casal ofereceu R$ 2 mil pela minha neta. Os dois disseram que iam cuidar bem dela”, disse ela.

“Eles insistiram para levá-la, disseram que ela não iria para longe, que iríamos poder vê-la. Era para nos enganar. Eu imagino que algumas pessoas caem nisso, são enganadas e entregam as crianças.”

Em Boa Vista, é comum grávidas pedindo ajuda nas ruas

Na Venezuela, afundada em uma complexa crise política, social e econômica que vem se agravando, há casos de mãe que entregam os filhos para que eles não morram de fome.

Em Boa Vista, é comum ver mulheres e grávidas pedindo ajuda em semáforos, feiras, nas portas de supermercados e farmácias com seus filhos, alguns ainda bebês.

São adultos e crianças com graus variados de necessidades. Em muitos casos, tiveram de abandonar tudo o que tinham para fugir ao Brasil e escapar do risco de morrer de fome.

“Estão em situação de extrema vulnerabilidade, o que é muito triste, porque elas já saíram de uma situação de vulnerabilidade na Venezuela”, avaliou, em entrevista ao G1, Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos.

Estrangeiro ofereceu R$ 2 mil para registrar bebê

Em setembro de 2018, o bengalês Amran Houssain, de 29 anos, viajou de São Paulo a Boa Vista para registrar como filha a bebê de uma venezuelana nascida havia apenas três dias.

Houssain disse que deu R$ 2 mil a um desconhecido que o colocou em contato com Elisangela Peres de Sousa, de 40 anos, para que ela arranjasse uma criança sem pai registrado, segundo a PF.

A fraude só foi descoberta porque a mãe se arrependeu da negociação e os denunciou às autoridades. Ela contou aos policiais que estava no quinto mês de gestação quando foi aliciada pela brasileira.

A mulher teria garantido a ela que Houssain não ficaria com a criança, mas faria transferências mensais de dinheiro e ajudaria a criá-la, em troca apenas do registro de paternidade.

Mas tanto ele quanto a brasileira, segundo as investigações da polícia, são suspeitos de integrar quadrilhas de tráfico humano. Houssain também é apontado como possível integrante de uma rede de exploração de trabalho análogo à escravidão.

Em depoimento à polícia, o bengalês disse que seu único objetivo era, a partir do registro como pai da criança, ter facilidade na obtenção do Registro Nacional de Estrangeiro (RNE).

À época da prisão, Elisangela não quis dar declarações à PF. Procurada pelo G1, ela disse que quis ajudar o bengalês a se regularizar no Brasil. Negou, porém, ter recebido dinheiro dele ou ter quaisquer ligações com redes de tráfico.

Mãe de 25 anos relatou ter recebido proposta de R$ 6 mil para entregar bebê de seis meses — Foto: Emily Costa/G1 RR

Mãe de 25 anos relatou ter recebido proposta de R$ 6 mil para entregar bebê de seis meses — Foto: Emily Costa/G1 RR

O nome do bengalês também aparece em outra investigação da PF, de 2015.

Neste ano, outro bengalês e um nepalês tentaram cruzar a fronteira da Venezuela com identidades falsas, passando-se por brasileiros.

Após o flagrante, a PF mapeou outros sete estrangeiros (entre eles, Houssain) hospedados em hotéis de Pacaraima, primeira cidade brasileira na fronteira com a Venezuela. A investigação não constatou envolvimento dos sete em nenhum crime, e o caso acabou arquivado.

Risco de tráfico humano

No levantamento de 2018 feito pela OIM e pela Unicef, 3.785 venezuelanos foram ouvidos em Boa Vista e Pacaraima. Entre os entrevistados, 425 (11,2%) tinham 726 crianças ou adolescentes, não necessariamente seus filhos, sob seus cuidados.

Quase todos os adultos disseram que esses menores em algum momento comeram de forma irregular desde a chegada ao Brasil e que 63% deles estavam sem ir à escola.

Sete relataram ter recebido propostas para vender sangue e órgãos de crianças e adolescentes, cinco disseram ter tido ofertas de casamento arranjado para os menores.

Até julho, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Tráfico de Pessoas da Assembleia Legislativa de Roraima recebeu nove denúncias de tráfico humano. Seis das vítimas eram venezuelanas. No ano passado, foram apenas dois casos, ambos com vítimas brasileiras.

O registro chamou a atenção das autoridades, mas na prática o número de vítimas pode ser bem maior.

“Casos de tráfico humano são historicamente subnotificados. Eles ocorrem mais do que são denunciados”, explica Yssyssay Rodrigues, da OIM. “Os principais crimes que advêm do tráfico humano são exploração sexual, trabalho escravo, venda de órgãos e adoção ilegal.”

Na Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Roraima, não há nenhum caso de adoção regular de crianças venezuelanas.

“O risco de tráfico humano sempre existe diante de populações vulneráveis em mobilidade. No caso de crianças e bebês, esse risco é ainda maior”, diz Camila Asano, da Conectas.

Em 2018, 1,6 mil filhos de venezuelanos nasceram em RR

O Brasil é o quinto país que mais recebe venezuelanos em fuga, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Diariamente, 550 venezuelanos atravessam a fronteira do Brasil por Roraima, e pelo menos 5% vão a Boa Vista precisando de assistência humanitária, segundo a operação Acolhida, que cuida do fluxo migratório. Sem dinheiro, eles chegam a pé num caminho de 215 km marcado pela fome, sede e cansaço.

Os 13 abrigos do estado lotaram, e o processo de interiorização, que transfere os venezuelanos a outros estados, ainda precisa dobrar sua capacidade para dar conta do número total de pessoas que chegam pela fronteira e das que ficam em Boa Vista por não ter dinheiro para seguir viagem.

No ano passado, os pedidos de refúgio de venezuelanos no Brasil subiram 245%, atingindo 61.681. Desse total, 81% foram apresentados só em Roraima.

Mas eles não foram os únicos que chegaram.

Em 2018, 1.603 filhos de pais venezuelanos nasceram no estado. Neste ano, o número ainda pode ser ainda maior: só até abril, 568 mães venezuelanas tiveram bebês em Roraima.