Ao lado de Bolsonaro, líderes de Rússia, Índia, China e África do Sul precisam também justificar por que são necessárias as reuniões anuais do bloco

    • BRASIL
    • Do R7

Com o objetivo de evitar temas embaraçosos diplomaticamente, começa nesta quarta-feira (13), em Brasília, a 11ª edição da cúpula dos Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O presidente Jair Bolsonaro teria sido aconselhado por assessores a evitar falar sobre a situação política da Bolívia no encontro. E Venezuela também é um assunto a ser deixado de lado.

Ele e integrantes de sua família e do governo brasileiro comemoraram a renúncia do ex-presidente boliviano Evo Morales no domingo (9), mas como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e o da China, Xi Jinping, foram mais moderados ao abordar o assunto, a fala de Bolsonaro pode criar um clima desagradável.

Representantes dos Brics também são mais ponderados ao abordar a crise na Venezuela e não compactuam com as críticas que o presidente brasileiro faz à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na quinta-feira (14), os cinco líderes discutirão temas definidos como prioritários pelo Brasil, anfitrião do evento: ciência, tecnologia e inovação; combate a ilícitos internacionais e o terrorismo; e cooperação em saúde.

Além disso, o encontro é uma chance de reforçar os laços comerciais do país com  China e Índia.

Outra possível saia justa é o posicionamento de Bolsonaro como forte aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O que pode ser mais um desconforto com Rússia e China, nações contra as quais os americanos têm divergências políticas e econômicas.

Para que serve o grupo?

Se no final da década anterior o grupo das nações emergentes se mostrava forte e buscava espaço em organismos como ONU e FMI (Fundo Monetário Internacional), o desafio agora parece ser arranjar justificativas para a manutenção do bloco.

Além dos muitos temas que devem ficar fora da pauta, a cúpula de 2019 também será esvaziada em comparação com as anteriores. No ano passado, na África do Sul, a reunião contou com a participação em discussões paralelas de 19 nações africanas, além de Argentina, Turquia e Jamaica. No próprio Brasil, em 2014, todos os líderes sul-americanos estiveram presentes.

Com Folhapress | 08/10/19

A reportagem da Folha apurou que análises feitas pela Petrobras apontaram a Venezuela como provável origem do petróleo que aparece nas praias do Nordeste desde o início de setembro. A estatal realizou uma série de testes bioquímicos em amostras coletadas nas praias e, oficialmente, afirmou apenas que não era óleo produzido no Brasil.

Em relatório sigiloso ao Ibama, porém, a estatal enviou resultado de análise comparativa com o petróleo venezuelano, que tem características diferentes das encontradas no brasileiro. A conclusão reforça a suspeita de que o óleo que chegou às praias do Nordeste tenha vazado de algum navio.

A declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro nessa segunda (07) reforça um diagnóstico divulgado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) no fim de setembro, quando o órgão informou que o óleo não era brasileiro. “Nós estamos investigando, analisando, porque tem um DNA. Por exemplo, não é produzido em nenhum poço brasileiro. E não é comercializado de fora para cá esse tipo de óleo também”, afirmou.

“Então, [temos] uma certeza: não é do Brasil. Não é responsabilidade nossa. A análise continua para saber se a gente consegue detectar de que país é, de onde veio, qual navio petroleiro que derramou esse óleo lá?”

O presidente não descartou ainda a possibilidade de que o Brasil peça indenização caso seja detectada a origem do óleo, mas disse que isso está sendo tratado pelo ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente). “Logicamente, aí entra nessa legislação ambiental, que o ministro do Meio Ambiente, que está agora na região, está voando para cá, ele poderá informar melhor vocês sobre isso.”

Bolsonaro disse que a causa do vazamento não é conhecida, deixando em aberto a possibilidade de ser algo criminoso ou acidental.

Para o presidente, seria “natural” que o comandante de um navio avisasse em caso de vazamento, mas lamentou que nada tenha sido comunicado às autoridades brasileiras. Ele afirmou também que há um impacto negativo dos vazamentos para o turismo na região.

No começo de setembro, manchas de óleo começaram a aparecer em praias do Nordeste. De lá para cá, as manchas foram identificadas em pelo menos 132 locais de 61 municípios em 9 estados: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Entre as praias atingidas estão alguns dos destinos turísticos mais famosos do Nordeste, como Pipa e Natal (RN), Carneiros, Porto de Galinhas e Boa Viagem (PE), e João Pessoa (PB). Ontem, o petróleo chegou à Foz do Rio São Francisco, em Alagoas.

A fauna também foi afetada pela presença do óleo. Foram encontradas mortas nove tartarugas marinhas e uma ave (Bobo-pequeno). Outras seis tartarugas foram resgatadas com vida.

As primeiras manchas apareceram no dia 2 de setembro em Pernambuco. Desde então, o CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) está investigando em conjunto com a UEPE (Universidade Estadual de Pernambuco) a origem do petróleo.

A hipótese é que o produto tenha sido descartado de forma ilegal em alto-mar há mais de um mês. O ICMBio e a Marinha estão investigando o caso.

Eduardo Elvino, diretor de controle de fontes poluidoras da CPRH que estuda o problema desde o início em parceria com a UFPE, diz que será possível dizer com precisão onde ocorreu o vazamento ou o descarte do óleo dentro de no máximo 20 dias, o que poderá indicar qual foi a embarcação responsável.

Veja o mapa mais atualizado de registros de manchas no litoral do Nordeste:

Por G1

05/08/2019


O governo dos Estados Unidos irá anunciar na terça-feira (6) sanções econômicas totais contra o governo da Venezuela, congelando todos os bens do regime de Nicolás Maduro e proibindo transações com ele, a menos que estejam especificamente isentas.

A medida foi tomada através de uma ordem executiva assinada na noite desta segunda pelo presidente Donald Trump.

É a primeira vez que o governo americano toma esse tipo de ação contra um governo ocidental em mais de 30 anos, de acordo com o “Wall Street Journal”. A medida coloca a Venezuela ao lado de Cuba, Coreia do Norte, Irã e Síria, os outros únicos países a sofrerem restrições semelhantes por parte dos EUA na atualidade.

“Todas as propriedades e interesses em propriedade do Governo da Venezuela que estão nos Estados Unidos … estão bloqueados e não podem ser transferidos, pagos, exportados, retirados ou de outra forma negociados”, diz a ordem executiva, segundo a agência Reuters.

O “Wall Street Journal” diz que as sanções incluídas na ordem executiva concedem 21 isenções a organizações internacionais e não-governamentais para serviços como bens humanitários, correspondência, alimentos, remédios e internet.

Outras sanções

Anteriormente, os EUA já haviam sancionado mais de 100 entidades e pessoas ligadas ao regime de Nicolás Maduro – dez deles no último dia 25, incluindo enteados do presidente. No começo de 2019, os Estados Unidos reconheceram Juan Guaidó como presidente do país e desde então tem pressionado para que Maduro deixe o poder.

Mais de 50 países seguiram o exemplo, incluindo o Brasil, e também reconheceram Guaidó, mas Maduro conta com o apoio de nações como a Rússia, China e Turquia para se manter no poder.

Por Emily Costa, G1 RR — Boa Vista

01/08/2019 06h00  Atualizado há uma hora


Jovens mães e grávidas venezuelanas que chegam ao Brasil fugindo da crise em seu país e moram em Roraima denunciam que vêm sofrendo assédio de pessoas interessadas em comprar seus filhos.

Em junho e julho, o G1 ouviu relatos de três mulheres que vivem em situação de rua em Boa Vista. Segundo elas, as ofertas variam entre R$ 200 e R$ 6 mil por cada criança.

O Ministério Público Federal e o Estadual têm recebido denúncias de casos desse tipo. A Polícia Federal investiga, mas não dá detalhes a respeito.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê como crime “prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa”. A pena vai de um a quatro anos e multa.

A estimativa é que 32 mil venezuelanos vivam na capital do estado que é a principal porta de entrada dos que cruzam a fronteira. Na cidade, há famílias inteiras, muitas delas com crianças, morando nas ruas ou em casas e prédios abandonados.

Uma venezuelana de 25 anos disse que, em junho, uma brasileira se propôs a pagar R$ 6 mil por sua filha mais nova, de apenas seis meses. A mulher disse que recebeu a oferta quando estava com a criança em um supermercado em Boa Vista.

“Ela falou que R$ 6 mil era muito dinheiro e que, com ele, eu poderia manter meus outros filhos”, contou a jovem. “A brasileira me disse: ‘Te dou R$ 6 mil, e você me dá a menina. Você pode ter outros, mas eu não’. E eu disse: ‘Não dou e nem vendo meus filhos’.”

Em setembro de 2018, um homem de Bangladesh e uma brasileira foram presos em flagrante pela PF quando tentavam registrar uma venezuelana recém-nascida em um cartório na capital. Segundo a PF, o acordo foi de R$ 2 mil.

Organização confirma assédio a mães e grávidas

Em entrevista ao G1, Yssyssay Rodrigues, coordenadora de projetos da Organização Internacional de Migração (OIM) em Roraima, disse que não há estatísticas, mas confirma que o assédio a mães e grávidas tem ocorrido.

“No ano passado, uma pessoa foi inclusive presa próximo a um abrigo. Ela não estava com a criança, mas foi pega na tentativa [de aliciar uma criança]. É o caso mais concreto que tivemos, mas temos bastantes relatos desse tipo”, afirmou.

“Temos orientado e encaminhado essas pessoas a denunciar às autoridades competentes, porque às vezes elas não têm consciência da gravidade da situação, de que se trata de um crime, já que na proposta o aliciador muitas vezes diz que vai cuidar da criança, que ela ficará melhor.”

Além desse assédio a mães para vender seus bebês, a Assembleia Legislativa de Roraima registrou, no primeiro semestre deste ano, seis casos de tráfico humano envolvendo vítimas venezuelanas, sem detalhar as circunstâncias em que ocorreram.

Ainda com relação a tráfico humano, a OIM diz que esse número pode ser maior, pois muitos casos não chegam sequer a ser denunciados.

Uma pesquisa da própria OIM e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) feita em 2018 assinalou riscos de exploração sexual, ameaças de violência e trabalho infantil de crianças venezuelanas em Roraima.

Relatos de mulheres assediadas para vender bebês

Uma mãe venezuelana de 35 anos ouvida pelo G1 afirmou que em junho quatro homens, entre eles um venezuelano, abordaram sua filha, que carregava o irmão de sete meses no colo. Segundo ela, o grupo ofereceu R$ 200 pelo bebê.

“Minha filha pensou que fosse uma brincadeira e disse ao venezuelano que R$ 200 era muito pouco. Então, ele ofereceu R$ 500. Ela ficou com medo e se afastou”, relatou.

Uma outra mulher, de 44 anos, disse que recebeu a proposta de R$ 2 mil pela neta quando estava pedindo ajuda na porta de uma farmácia.

Mãe de 35 anos e bebê que foi alvo de proposta de R$ 200 — Foto: Emily Costa/G1 RR

Mãe de 35 anos e bebê que foi alvo de proposta de R$ 200 — Foto: Emily Costa/G1 RR

“Um carro parou, e um casal ofereceu R$ 2 mil pela minha neta. Os dois disseram que iam cuidar bem dela”, disse ela.

“Eles insistiram para levá-la, disseram que ela não iria para longe, que iríamos poder vê-la. Era para nos enganar. Eu imagino que algumas pessoas caem nisso, são enganadas e entregam as crianças.”

Em Boa Vista, é comum grávidas pedindo ajuda nas ruas

Na Venezuela, afundada em uma complexa crise política, social e econômica que vem se agravando, há casos de mãe que entregam os filhos para que eles não morram de fome.

Em Boa Vista, é comum ver mulheres e grávidas pedindo ajuda em semáforos, feiras, nas portas de supermercados e farmácias com seus filhos, alguns ainda bebês.

São adultos e crianças com graus variados de necessidades. Em muitos casos, tiveram de abandonar tudo o que tinham para fugir ao Brasil e escapar do risco de morrer de fome.

“Estão em situação de extrema vulnerabilidade, o que é muito triste, porque elas já saíram de uma situação de vulnerabilidade na Venezuela”, avaliou, em entrevista ao G1, Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos.

Estrangeiro ofereceu R$ 2 mil para registrar bebê

Em setembro de 2018, o bengalês Amran Houssain, de 29 anos, viajou de São Paulo a Boa Vista para registrar como filha a bebê de uma venezuelana nascida havia apenas três dias.

Houssain disse que deu R$ 2 mil a um desconhecido que o colocou em contato com Elisangela Peres de Sousa, de 40 anos, para que ela arranjasse uma criança sem pai registrado, segundo a PF.

A fraude só foi descoberta porque a mãe se arrependeu da negociação e os denunciou às autoridades. Ela contou aos policiais que estava no quinto mês de gestação quando foi aliciada pela brasileira.

A mulher teria garantido a ela que Houssain não ficaria com a criança, mas faria transferências mensais de dinheiro e ajudaria a criá-la, em troca apenas do registro de paternidade.

Mas tanto ele quanto a brasileira, segundo as investigações da polícia, são suspeitos de integrar quadrilhas de tráfico humano. Houssain também é apontado como possível integrante de uma rede de exploração de trabalho análogo à escravidão.

Em depoimento à polícia, o bengalês disse que seu único objetivo era, a partir do registro como pai da criança, ter facilidade na obtenção do Registro Nacional de Estrangeiro (RNE).

À época da prisão, Elisangela não quis dar declarações à PF. Procurada pelo G1, ela disse que quis ajudar o bengalês a se regularizar no Brasil. Negou, porém, ter recebido dinheiro dele ou ter quaisquer ligações com redes de tráfico.

Mãe de 25 anos relatou ter recebido proposta de R$ 6 mil para entregar bebê de seis meses — Foto: Emily Costa/G1 RR

Mãe de 25 anos relatou ter recebido proposta de R$ 6 mil para entregar bebê de seis meses — Foto: Emily Costa/G1 RR

O nome do bengalês também aparece em outra investigação da PF, de 2015.

Neste ano, outro bengalês e um nepalês tentaram cruzar a fronteira da Venezuela com identidades falsas, passando-se por brasileiros.

Após o flagrante, a PF mapeou outros sete estrangeiros (entre eles, Houssain) hospedados em hotéis de Pacaraima, primeira cidade brasileira na fronteira com a Venezuela. A investigação não constatou envolvimento dos sete em nenhum crime, e o caso acabou arquivado.

Risco de tráfico humano

No levantamento de 2018 feito pela OIM e pela Unicef, 3.785 venezuelanos foram ouvidos em Boa Vista e Pacaraima. Entre os entrevistados, 425 (11,2%) tinham 726 crianças ou adolescentes, não necessariamente seus filhos, sob seus cuidados.

Quase todos os adultos disseram que esses menores em algum momento comeram de forma irregular desde a chegada ao Brasil e que 63% deles estavam sem ir à escola.

Sete relataram ter recebido propostas para vender sangue e órgãos de crianças e adolescentes, cinco disseram ter tido ofertas de casamento arranjado para os menores.

Até julho, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Tráfico de Pessoas da Assembleia Legislativa de Roraima recebeu nove denúncias de tráfico humano. Seis das vítimas eram venezuelanas. No ano passado, foram apenas dois casos, ambos com vítimas brasileiras.

O registro chamou a atenção das autoridades, mas na prática o número de vítimas pode ser bem maior.

“Casos de tráfico humano são historicamente subnotificados. Eles ocorrem mais do que são denunciados”, explica Yssyssay Rodrigues, da OIM. “Os principais crimes que advêm do tráfico humano são exploração sexual, trabalho escravo, venda de órgãos e adoção ilegal.”

Na Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Roraima, não há nenhum caso de adoção regular de crianças venezuelanas.

“O risco de tráfico humano sempre existe diante de populações vulneráveis em mobilidade. No caso de crianças e bebês, esse risco é ainda maior”, diz Camila Asano, da Conectas.

Em 2018, 1,6 mil filhos de venezuelanos nasceram em RR

O Brasil é o quinto país que mais recebe venezuelanos em fuga, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Diariamente, 550 venezuelanos atravessam a fronteira do Brasil por Roraima, e pelo menos 5% vão a Boa Vista precisando de assistência humanitária, segundo a operação Acolhida, que cuida do fluxo migratório. Sem dinheiro, eles chegam a pé num caminho de 215 km marcado pela fome, sede e cansaço.

Os 13 abrigos do estado lotaram, e o processo de interiorização, que transfere os venezuelanos a outros estados, ainda precisa dobrar sua capacidade para dar conta do número total de pessoas que chegam pela fronteira e das que ficam em Boa Vista por não ter dinheiro para seguir viagem.

No ano passado, os pedidos de refúgio de venezuelanos no Brasil subiram 245%, atingindo 61.681. Desse total, 81% foram apresentados só em Roraima.

Mas eles não foram os únicos que chegaram.

Em 2018, 1.603 filhos de pais venezuelanos nasceram no estado. Neste ano, o número ainda pode ser ainda maior: só até abril, 568 mães venezuelanas tiveram bebês em Roraima.

Por G1

28/06/2019 04h39  Atualizado há uma hora


O presidente Jair Bolsonaro se reuniu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (28), em Osaka no Japão, três meses após visita oficial aos EUA.

Os chefes de governo discutiram mais sanções econômicas tanto para Venezuela como para Cuba, de acordo com declaração à TV Globo de Eduardo Bolsonaro, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Trump voltou a dizer “que todas as opções estão na mesa” quando discutiu a situação venezuelana.

O porta-voz da presidência, Rego Barros, afirmou que os governos dos EUA e do Brasil compreendem que “é por meio da pressão econômica que nós vamos conseguir viabilizar a democracia na Venezuela”.

De acordo com o porta-voz, os dois países podem analisar ações que levem à “desidratação” dos apoiadores que possam dar algum suporte financeiro ao governo de Nicolás Maduro. Barros explicou ainda que, entre os apoiadores da Venezuela, “obviamente, nós não podemos deixar de identificar Cuba”.

No entanto, Barros não deu detalhes de medidas concretas que podem ser tomadas contra os dois países.

Troca de elogios

“Sempre o admirei desde antes das eleições. Temos muita coisa em comum. Somos dois líderes de países que, juntos, podemos fazer muito por seus pobres. Estamos à disposição para conversar com Trump, de modo que possamos fazer parcerias. Gosto muito do povo americano. A política do Brasil mudou de verdade. Nos interessa e temos o prazer de nos aproximar dos Estados Unidos”, disse Bolsonaro, durante encontro que reuniu delegações dos dois países.

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Bolsonaro manifestou apoio a Trump na sua tentativa de reeleição e o convidou para visitar o Brasil mesmo antes do pleito. “Espero que nos visite antes das eleições, se for possível”.

O presidente americano respondeu que pretende visitar o Brasil, mas não chegou a marcar uma data.

“Você tem ativos que alguns países nem conseguem imaginar. É um tremendo país, com uma população tremenda, então estou entusiasmado para ir”, afirmou.

Espanha

Bolsonaro também se encontrou com o presidente espanhol, Pedro Sánchez, e se pronunciou no Twitter sobre a prisão de um sargento brasileiro da aeronáutica com 39 kg de cocaína no aeroporto de Sevilha, na Espanha. “Aproveitei para agradecê-lo pelo modo como as autoridades espanholas estão lidando com o caso dos entorpecentes apreendidos em avião da FAB e reafirmei minha defesa por punição severa para o tráfico”.

OCDE

No início da cúpula do G20, Bolsonaro se encontrou com o secretário-Geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o mexicano José Ángel Gurría Treviño. A OCDE conta com 36 países e o Brasil quer se tornar um novo membro.

Após audiência com Treviño, o presidente brasileiro diz que conversou “sobre os próximos passos para uma relação ainda mais forte com a organização” e que o mexicano mostrou “entusiasmo” com a agenda brasileira de reformas. Mas também ouviu que é preciso respeitar uma fila que tem na espera, entre outros, Argentina e Romênia.

Depois, Bolsonaro se encontrou rapidamente com o presidente da França, Emmanuel Macron. Na conversa, o presidente brasileiro sinalizou a Macron que o Brasil vai continuar no Acordo do Clima de Paris e disse esperar o apoio da França para o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul.

A posição do presidente brasileiro reforça o compromisso firmado pelos Brics mais cedo.

Por Emily Costa, G1 RR — Boa Vista

28/06/2019


“Era vir para cá ou ir para rua”, resumiu Liz Morales, 28, que acabara de se mudar para um clube abandonado ocupado por mais de 500 venezuelanos em Boa Vista, capital de Roraima.

Tão lotado quanto precário, o local é um novo símbolo da crise provocada pela chegada em massa dos venezuelanos à fronteira do Brasil.

Desde o ano passado, quando cresceu o número de venezuelanos entrando no país, estrangeiros começaram a ocupar prédios públicos abandonados em Roraima, um fenômeno que agora está se expandindo.

É uma alternativa frente à superlotação dos abrigos – são 13 com 6,5 mil moradores – e viver nas ruas em meio ao período das chuvas.

Segundo a ONU, o número de migrantes e refugiados que deixaram a Venezuela desde 2016 já ultrapassou a barreira dos 4 milhões. O Brasil é o quinto país a recebê-los (168 mil), mas Roraima, que fica na fronteira, concentra ao menos 60 mil, segundo o governo do estado.

Estima-se que quase 32 mil venezuelanos morem em Boa Vista, o que corresponde a quase 10% dos 375 mil habitantes da capital, a terceira menor do país que agora vive problemas de metrópole.

“A taxa de desemprego no estado saltou de 8% para 16% em dois anos causando um trauma na economia de Roraima”, disse o governador Antonio Denarium (PSL) em audiência no Senado no mês passado.

“Na educação mais de 5 mil alunos filhos de venezuelanos estão estudando na rede de escolas estaduais. Na saúde, 50% dos leitos hospitalares são ocupados por venezuelanos”,

Um levantamento da operação Acolhida, a missão humanitária que cuida do fluxo migratório, mapeou em maio dez prédios abandonados com mais 1.350 venezuelanos e outros 1.493 vivendo nas ruas.

Marlene Caigua, 45, o marido e o filho vivem em prédio abandonado onde antes funcionava a Secretaria de Educação de Roraima, no Centro da capital  — Foto: Emily Costa/G1 RR

Marlene Caigua, 45, o marido e o filho vivem em prédio abandonado onde antes funcionava a Secretaria de Educação de Roraima, no Centro da capital — Foto: Emily Costa/G1 RR

O número tem crescido ao passo que 12 mil venezuelanos foram transferidos para fora do estado após um ano e dois meses desde o início do processo de interiorização do governo federal.

Entre os que ficam os relatos são de desemprego. Só 9% dos recém-chegados conseguem emprego formal no Brasil, mostrou uma pesquisa da Organização Internacional de Migração (OIM).

“Eles se refugiaram aqui por não ter mais para onde ir e por conta do período chuvoso”, explica o queniano Jonh Austin Omandi, que integra o grupo Missionários da Consolata.

Voluntário, ele vai diariamente à ocupação de 500 venezuelanos no antigo Clube do Trabalhador que estava abandonado há seis anos. Ensina português, ajuda na limpeza e alimenta os imigrantes.

“É tudo bastante precário e a população é bem grande. Há centenas de crianças, adolescentes e idosos”, descreve Jonh. “São muitas pessoas, poucos banheiros e muito lixo”.

Ka’ubanoko: um lugar para dormir

No espaçoso clube outrora abandonado a vida é precária e improvisada. Oferece, sobretudo, risco às crianças, que são a maioria ali (até 12 de junho, dos 510 moradores 201 tinham menos de 18 anos).

Um encanamento puxa água da rua para dentro do prédio e o telhado está cheio de infiltrações. Há fios elétricos emaranhados perto das janelas e sobre o chão.

Os venezuelanos se dividem entre barracas de camping, barracos improvisados e escombros. A maioria deles são índios da etnia Warao, que também imigra em massa para o Brasil.

Logo na entrada do clube uma placa escrita à mão chama a atenção. Afixada ao lado da entrada, enumera as regras de convivência para os índios e não-índios do “Ka’ubanoko”, como foi batizado o espaço.

Placa afixiada na entrada da ocupação estabelece regras de convivência entre índios e não-índios — Foto: Emily Costa/G1 RR

Placa afixiada na entrada da ocupação estabelece regras de convivência entre índios e não-índios — Foto: Emily Costa/G1 RR

“Na língua Warao Ka’ubanoko significa lugar para dormir”, conta a médica Fiorella Ramos, espécie de coordenadora da ocupação onde mora com os dois filhos.

“Sou especialista em clínica médica, mas na Venezuela estava passando necessidades. Em Roraima não há trabalho, mas pelo menos há comida e aqui tenho um teto”, diz.

Os moradores dizem que a ocupação começou há quatro meses. No início eram quatro famílias de não-indígenas – ou criollos como são chamados os venezuelanos não-índios – , mas em março centenas de Warao chegaram até ali.

Eles se espalharam pelo terreno, construíram barracos e adaptaram se à estrutura abandonada desde 2016 pelo governo do estado.

Para organizar o espaço, um grupo de mais de 20 venezuelanos criou uma coordenação geral. Dividem-se tarefas como segurança, limpeza e distribuição das doações que chegam até ali.

“Nós queremos que este espaço seja reconhecido como abrigo. Temos receio de sermos despejados e ao mesmo tempo precisamos de mais assistência. Aqui, 95% das pessoas estão desempregadas”.
Barracos montados dentro de espaço abandonado no bairro Jóquei Clube, zona Oeste de Boa Vista — Foto: Emily Costa/G1 RR

Barracos montados dentro de espaço abandonado no bairro Jóquei Clube, zona Oeste de Boa Vista — Foto: Emily Costa/G1 RR

Superlotação, desemprego e riscos

A mudança não levou mais de dez minutos. Foram um fogão, alguns utensílios de plástico e uma bicicleta sem a roda traseira as últimas coisas que Liz, a mãe, Samtyaga Morales, 53, levaram para dentro do barraco no Ka’ubanoko.

“Vamos ficar em sete aqui. Eu, meus dois filhos, minha mãe, uma tia e uma prima e um amigo da família. Ele decidiu nos abrigar porque meu aluguel terminou e não tinha mais como pagar. Fiquei desempregada”, explicou Liz mostrando o barraco de dois cômodos.

“Quando chove molha tudo aqui dentro e isso me preocupa. Minha mãe acaba de melhorar de uma pneumonia. Aqui ela corre o risco de adoecer de novo, mas não tem outra alternativa”, disse Liz.
Família de 10 pessoas vivem em barraca de lona na ocupação: 'No Brasil você consegue comprar algo para comer com R$ 10, na Venezuela não', diz Ana Isabel Campos, de 40 anos — Foto: Emily Costa/G1 RR

Família de 10 pessoas vivem em barraca de lona na ocupação: ‘No Brasil você consegue comprar algo para comer com R$ 10, na Venezuela não’, diz Ana Isabel Campos, de 40 anos — Foto: Emily Costa/G1 RR

“Subi no teto e descobri que aqui em cima tem uma ‘piscina’ cheia d’água da chuva. Tenho medo que desabe sobre nós”, conta Vladimir Veracierta, 39, que divide uma sala do prédio com sete pessoas, incluindo quatro crianças. “São todos da minha família”.

Ana Isabel Campos, de 40 anos, divide um barraco de lona e madeira com seus sete filhos, o marido e um irmão na invasão. “No Brasil você consegue comprar algo para comer com R$ 10, na Venezuela, não”.

Reinaldo Rondon, 43 anos, mostra foto dos filhos no telefone; aparelho não faz chamadas e há semanas ele não fala com a família que continua na Venezuela — Foto: Emily Costa/G1 RR

Reinaldo Rondon, 43 anos, mostra foto dos filhos no telefone; aparelho não faz chamadas e há semanas ele não fala com a família que continua na Venezuela — Foto: Emily Costa/G1 RR

Sem ter para onde ir

No prédio da antiga Secretaria de Educação, no Centro de Boa Vista, há um grupo de mais de 150 venezuelanos. Eles se dividem entre as salas e os corredores do espaço que também estava abandonado há anos.

“Tudo o que tem aqui eu tirei do lixo”, diz Diego Piamo, de 19 anos, que mora com a mulher, Yessica Medina, 24, em um das salas do prédio. Eles têm um colchão de casal, algumas panelas e um relógio de parede.

“Todos os dias saio catando latinhas e comida do lixo. Às vezes consigo algum serviço e ganho R$ 15, R$ 20 por um dia inteiro de trabalho. As pessoas sabem que estamos necessitadas e pagam menos, mas nós não temos como recusar”.
Anthony Marcano, 25, a mulher, Gloria Trillo, 21, e a filha de 2 anos vivem em uma sala da antiga Secretaria de Educação há um mês — Foto: Emily Costa/G1 RR

Anthony Marcano, 25, a mulher, Gloria Trillo, 21, e a filha de 2 anos vivem em uma sala da antiga Secretaria de Educação há um mês — Foto: Emily Costa/G1 RR

Em outra sala, 11 pessoas moram juntas, entre elas duas mulheres grávidas. Um dos moradores sofre com febre e os venezuelanos contam que garoto de 2 anos que estava no mesmo prédio foi diagnosticado com tuberculose.

“Minha gravidez é de alto risco e eu não sei como está meu bebê, porque não tenho dinheiro e nem consigo marcar meus exames”, lamenta Jessena Piñedo, 30, ao lado dos outros dois filhos, de seis e quatro anos.

Não muito longe dali, no prédio de um teatro abandonado há uma década, também no Centro, há uma outra ocupação de venezuelanos. Entre eles William Ribeiro Zapata, 43 que está cultivando uma horta no local.

“Meu plano principal é dividir a produção com quem tem fome, e também alimentar minha família. Vai ser só para comermos e ajudarmos outros que precisam”, disse enquanto trabalhava no cultivo.

Enquanto não consegue vaga em um dos abrigos da operação Acolhida, Nelma Tortorelo, 35, divide um barraco de lona e madeira em um terreno invadido no bairro 13 de Setembro, em Boa Vista, com o marido e os sete filhos.

Venezuelanos vivem dentro de ônibus abandonado em prédio da antiga Secretaria de Educação: 'Aqui dentro dormem quatro pessoas', diz Carlos Vierma, 21 — Foto: Emily Costa/G1 RR

Venezuelanos vivem dentro de ônibus abandonado em prédio da antiga Secretaria de Educação: ‘Aqui dentro dormem quatro pessoas’, diz Carlos Vierma, 21 — Foto: Emily Costa/G1 RR

“Em Boa Vista já tem muitos venezuelanos e alguns fazem o mal, furtam, roubam. Como por um pagam todos, fica cada vez mais difícil para os venezuelanos conseguirem trabalho aqui”.

Segundo a Secretaria de Justiça e Cidadania, Roraima tem 175 venezuelanos presos, o que representa cerca de 5% da população carcerária de 3.353 pessoas. A maioria dos imigrantes foi detida por crimes como roubo, furto e tráfico, mas também há casos de delitos mais graves como homicídio e estupro.

Ao lado do terreno onde vive Nelma Tortorela, um galpão também foi ocupado. Nas paredes há várias mensagens em Espanhol. Uma delas contém um desabafo:

"Às vezes me sinto triste por pensar que aqui no Brasil conheci tantas pessoas e de repente os matam, são presos ou se vão para mais longe. Como eu gostaria de ficar com elas, que tristeza", diz o texto assinado com o nome "Alejandra, La Negra" — Foto: Emily Costa/G1 RR

“Às vezes me sinto triste por pensar que aqui no Brasil conheci tantas pessoas e de repente os matam, são presos ou se vão para mais longe. Como eu gostaria de ficar com elas, que tristeza”, diz o texto assinado com o nome “Alejandra, La Negra” — Foto: Emily Costa/G1 RR

“Viemos para cá porque estávamos na rua e tínhamos muita necessidade de um teto”, disse Marlene Caigua, 45, que mora no prédio da antiga secretaria de Educação. “Aqui é algo estável, mais seguro. Entre nós há muitas crianças, grávidas, deficientes e idosos”.

“Saímos da Venezuela porque a situação do país é dramática. Os hospitais estão fechados, as crianças morrem de fome. É terrível”.

No pátio externo da antiga secretaria, até um ônibus se converteu em abrigo para quatro venezuelanos que há dois meses moram ali.

“Estamos tentando juntar dinheiro para fazer pastéis e vender na rua. Depois quem sabe não teremos dinheiro para sair daqui e ir para um aluguel?”, planeja Anthony Marçano, 25, que há um mês chegou de El Tigre, com a mulher, Gloria Trillo, 21, e a filha de 2 anos.

Ariana Rojas, 20, e o filho Oriangel David, nascido em 18 de maio no Brasil — Foto: Emily Costa/G1 RR

Ariana Rojas, 20, e o filho Oriangel David, nascido em 18 de maio no Brasil — Foto: Emily Costa/G1 RR

Na ocupação do Jóquei Clube um dos 510 moradores é Oriangel David, um bebê prematuro nascido há um mês. Filho de venezuelanos, mas nascido no Brasil, vive como um refugiado em sua própria terra natal.

“Vivemos em uma invasão e não sabemos por quanto tempo vão nos permitir ficar aqui, mas se por alguma razão nos tirarem não teremos escolha a não ser ir para a rua”, sentencia sua mãe, Ariana Rojas, 20.

Por Felipe Gutierrez

26/06/2019


Até o fim deste ano, 1 milhão a mais de venezuelanos deve sair do país por causa da crise econômica e política.

A estimativa é de Eduardo Stein, representante da agência de refugiados da ONU, a Acnur, para os refugiados e imigrantes venezuelanos.

Eduardo Stein, representante da ONU para refugiados e imigrantes venezuelanos — Foto: Daniel Muñoz/AFP/Arquivo

Eduardo Stein, representante da ONU para refugiados e imigrantes venezuelanos — Foto: Daniel Muñoz/AFP/Arquivo

Cerca de 4 milhões já abandonaram a Venezuela, de acordo com dados da entidade.

“Chegou-se ao número de 4 milhões há cerca de três semanas. A nossa projeção é que serão cerca de 5 milhões até o fim de 2019. Há uma média de 5.000 venezuelanos que partem diariamente”, diz Stein.

Pela estimativa da ONU, a Venezuela tinha 30 milhões de habitantes em 2015 e, hoje, tem 28,5 milhões.

Há oscilação do fluxo de acordo com mudanças da política da Venezuela ou de outros países. Quando a fronteira com o Brasil foi reaberta, houve um aumento, mas depois alguns dias, a média voltou a 5.000 por dia, segundo ele.

Mesmo que se chegue a uma solução política para a Venezuela, os cerca de 5 milhões que devem sair do país vão levar cerca de dois anos para voltar. Isso porque a velocidade da volta é menor que a da saída.

“Digo isso com base em movimentos semelhantes que já aconteceram em outras partes do mundo: para retornar, as pessoas querem garantias de estabilidade e respeito a direitos humanos, além de acesso a serviços básicos, empregos e renda”, afirma ele.

Brasil tem forma centralizada e sofisticada de receber, diz autoridade

Em agosto de 2018, brasileiros destruíram acampamentos de imigrantes venezuelanos na cidade de Pacaraima, em Roraima, por acreditarem que um comerciante tinha sido atacado pelos estrangeiros.

Imigrantes venezuelanos embarcam em avião com destino a São Paulo, em janeiro de 2019 — Foto: Operação Acolhida/Exército Brasileiro

Imigrantes venezuelanos embarcam em avião com destino a São Paulo, em janeiro de 2019 — Foto: Operação Acolhida/Exército Brasileiro

Após esse incidente, a forma como o governo brasileiro passou a receber os refugiados mudou, e hoje é uma das mais sofisticadas, segundo Stein.

“Os venezuelanos são registrados, ganham atendimento de saúde, têm comida e abrigo. Depois, há programas para tirá-los de perto das fronteiras e levá-los a outras regiões. Há pesquisas para entender qual parte do país tem mais capacidade para receber”, afirmou.

Isso não mudou com o governo de Jair Bolsonaro, de acordo com o represente. Esses mecanismos acontecem de forma centralizada, coordenados pelo governo federal, afirma ele.

Os dados da ONU apontam que o Brasil tem o sexto maior contingente de venezuelanos fora de seu país. São cerca de 168 mil pessoas que vieram para cá.

 — Foto: Guilherme Gomes/G1

— Foto: Guilherme Gomes/G1

Perguntado se o Brasil poderia fazer mais para atender as vítimas da crise do país vizinho, Stein afirmou que quem ocupa o cargo dele não pode fazer comentários sobre as politicas de cada país.

“Os governos dos países que recebem estão preocupados com as consequências da onda de venezuelanos. Sobre a capacidade brasileira para aumentar as opções para receber, nós não somos autorizados a nos envolver em aspectos políticos”, afirmou.

Países sul-americanos aceitam venezuelanos com documentos expirados

O Peru, o país que recebeu o segundo maior contingente, baixou uma regra que exige passaporte e visto dos venezuelanos que vão para lá. Stein afirma que o governo da Venezuela não tem mais emitido documentos, e que não há forma de consegui-los.

A norma, no entanto, não tem sido reforçada, de acordo com o Stein, que elogia a flexibilidade de países sul-americanos, que tem aceitado documentos com validade expirada.

Órgão da ONU destacou impactos em países vizinhos, como o Brasil.

Nova York — O Unicef estima que 1,1 milhão de crianças precisarão de proteção e acesso a serviços básicos em 2019 na América Latina e no Caribe devido à crise migratória na Venezuela, tanto os deslocados do país, os que retornam e os que estão em abrigos de passagem.

De acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, atualmente cerca de 500 mil crianças necessitam de assistência, então pedem aos governos da região que defendam os direitos desses menores, incluindo migrantes e refugiados.

Segundo seus cálculos, 4,9 milhões de pessoas de toda a região (incluindo Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Trinidad e Tobago) precisarão de assistência especial este ano por causa das condições políticas e econômicas na Venezuela, que estão provocando uma onda migratória.

fonte: exame